sábado, 17 de maio de 2008

CANTIGA DA MORTE



[e da desesperança]

Não há mistério na morte,
há sofrimento na dor,
que para mim é lembrança
de um tempo de muito amor.

Sinos não dobram à sorte
da alma que já se foi
choram a desesperança,
aquela que vive e ficou.


Rio, janeiro de 2006.

CANTIGA



[desengano e paixão]


Oh Senhora que me tens cativo de teus olhos claros
que não me olham nem me verão
oh minha musa tu me tens passivo
triste só comigo
verdade que não dirão

oh bela dona porque não me vês
com teus olhos cheios de razão?
Flechas que não se dirigem nunca chegarão.


Rio, janeiro de 2006.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

RETROSPECTO



esperei o que os sonhos diziam
a mangueira no quintal mangas maduras
o verde aroma da chuva

esperei a alegria dos filhos
a gaiatice dos netos
o fruto maduro da idade
a me fazer desejado

de poema em poema
vou encontrando o remanço
os mesmos sonhos e o mar


Londres, maio de 2008

quinta-feira, 15 de maio de 2008

BOCA



a boca que desejas
não será a mesma que te fala
nem jamais a que se cala

a boca é a perfeita abstração
do que não diz
nunca do que queres
se com ela te alteres
quando cala

a boca não escreve fala

NYC, agosto de 2002.

MUDO



do que me lembro esqueço
quero falar mas não posso



NYC, dezembro de 2001.

LA BOCCA DELLA VERITÀ



la Bocca della Verità não diz palavra
é pedra fria
non c’è niente da dire
nem memória
a palavra é il vuoto della storia!


Roma, fevereiro de 2003.

UM DIA QUALQUER



este poema fala da ilusão de um dia esquecido de uma vida qualquer no tempo desmentido que não tinha esperança lá atrás
este poema sobrevive entre lembranças despojos como remorsos
sozinho na solidão


Londres, maio de 2008