sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

RIO



A large smile
It’s summer in Rio




o mar desmaia
grisalho sobre mim
sorrio

é minha praia

a brisa
acaricia a floresta
e uma vela no horizonte
da janela navego o largo mar

sorrio
alheio
estou no Rio...


Rio, fevereiro de 2009

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

DESEJO




... quero tocar-te a pele
e deixar-te ao poente
nesta loucura do passar os dias
de oriente a ocidente

quero tocar-te quente
arder-te sem queimar-te
e voltar
para ser teu assim de repente

quero esse querer ardente
que já não sei se basta o sol
ou outra luz
que ilumine e queime
impiedosamente
meu desejo

de querer-te sem sentir para depois morrer...


Rio, fevereiro de 2008


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Rio







...o mar aqui bem perto

são espumas

a deslizar e fazer durar

o instante

este chuvisco sutil

esse por do sol



cor do mar


poeira salgada

das entranhas verdes

desse Rio que me desperta cheiros

ritmo

sorriso

a encontrar amigos

coniventes

no amar

cada corpo ágil e o olhar





Rio, fevereiro de 2009

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

MAZELAS




...mazelas...não arrisco falar delas
físicas morais intelectuais e até mesmo virtuais
despencam torrenciais
desprendem-se ao mínimo rumor
de um pálido suspiro
de terror

é escuro o brilho do silêncio
tua ausência suporta mal a fidelidade
que deves ao gênio que escondes em rimas digitais
a língua desmembra-se
divide-se entre o gôzo e o desejo
confunde o antes e o depois
e lambe selos num ritual ancestral
languidamente

julguei que nada havia a dizer do desencaixe
com receio do vazio de teu eu longe do meu

Rio, fevereiro de 2009

O TEMPO


que inútil seria suprimir o tempo
sem eliminar a angústia e todo sofrimento

congelar o fel em nada muda a substância
o vinagre está em nós
e por isso escrevo supero o tempo passo e deixo a borra

se o tempo não existe
eu existo
por que não aparecer
se tanto quero viver?

Rio, fevereiro de 2009

terça-feira, 25 de novembro de 2008

SELVA





nem antes nem depois
tudo aconteceu
e nada mudou

exceto tudo
em crise de sobrevivência

o repentino encanto do real
no sonho de reviver
a alucinante selva escura

Miami, novembro de 2008.

domingo, 26 de outubro de 2008

ADEUS LONDRES






o inverno ronda Londres
vem do mar molha a terra
com a umidade cega
que se desfaz
nas ruas de noites silenciosas
dessa gente retraída
em palavras sem palavras
debaixo de janelas fechadas
à sombra de lâmpadas amarelas
sem um grito
sufocados

nenhum gesto
luz opaca
claridade repentina
de um farol indistinto

no escuro florescem
sem vida as manhãs
não demoram
duram horas

vem o cinza em pranto
só para que passe
um outro dia
que se cala


Londres adeus! outubro de 2008.