terça-feira, 7 de julho de 2009

BRILHO DO SOL





amo o brilho do sol
e o pensamento noturno
amo o desejo carnal
onde corpo nem há
mas
noite não é tristeza
tampouco corpo beleza

ó
céu de muito cantar
perdôa meus poucos pecados
e dá-me tempo de amar!

Rio, julho de 2009.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

VERSO INVERSO





é quando a noite vem é quando
tudo que passou é tudo
do nada que ficou é nada
ser do que sozinho sou

pouco para dizer pouco
do sonho que restou do
verso do que foi verso
e não fala não

Rio, julho de 2009


sábado, 4 de julho de 2009

BUSCA




a esta altura melhor não procurar conhecer
o eu profundo
o sol ofusca essa busca

fico na superfície
e vou jogar futebol

hei-de aprender a ser gente
nem que na reincarnação

se passo piso o passado
mas por que falar dele
onde não me encontrar?

o que está adiante
não vejo

talvez fosse preciso que os olhos
lessem música
porque não a podem ouvir

falta premonição à porta da sensação

Rio, julho de 2009.



LOWCURA


lowcura...

nem mesmo o conheci
mas li
escavando em cada linha
uma outra forma de arte

hoje tivemos estragos
na arte da poesia
silencia
Rodrigo Souza Leão


pasmo


poetas costumam demorar-se
no espelho

jovens jamais apagam as luzes


mas ele ainda nem tinha
tempo!


tomara tenha sido um daqueles desmaios
logo depois das cinco!

Rio, julho de 2009.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

ARTE DE VIVER





manhãs claras
vento frio

abstração e silêncio
no mar
que não bate em rochas

manhãs ventos frios silêncio
sementes
eram o princípio e eram tudo

interpelava o futuro
na brisa intangível
***

não vês como a vida é larga
e o presente embalsamado
a sonegar o passado?

não vês a distância próxima
e o mar de cristas embranquecidas?
Não vês?

aspirava à primavera em setembro
o tempo de meu tempo

aspirava à vida nova e ao sol quente
o claro tom em sais
do presente no futuro

sonho?

não sabes que a ventura é arte?
que a vida é aventura?
vivê-la arte?


Roma/Rio, fevereiro/junho de 2003/2009

ALEGORIA


[a una beldad]


el alegorico vence el sueño
y tu entre palomas blancas
llegaste como mancha entre papeles amarillos

palabras rituales!

tu traje era una flor marina
sobre la polución de mis deseos encubiertos
y tu eras mi primer amanecer…



Roma, sesión del CODEX, julio de 2003

A PALAVRA III





no limiar do sentido

nem a noite
revelará a palavra
sem razão

à véspera de ser dia
a ilusão do entendimento
despe minha aflição

a palavra cala
na noite que estremece
enigma “dell ’ assenza
[1]”
o transe nada dirá

Roma/Rio, fevereiro/junho de 2003/2009

[1] Luciana Stegagno Picchio