sexta-feira, 26 de março de 2010

O QUE NÃO FOI...







se a pedra que trazes um dia florescesse
se o frio olhar com que me matas incandescesse
se a palavra que não dizes me ocorresse
se o gesto que não fazes então vivesse
este nó que sufoca o grito que não dei
desataria para dizer-te que te amei

Rio, março de 2010




quarta-feira, 17 de março de 2010

CONFISSÃO





para Maria Luiza, minha mulher

em tuas mãos conduzistes minh'alma
aonde serei eternamente teu
e houvera eu ser diferente
não fosses tu a me levar
zelas por mim e me acompanhas
por onde vaga meu vagar
cuidas-me e acarinhas
o meu sentir solitário
nesse tempo em que fluistes
como água e sombra puras
terminarei onde me deixares
porto seguro no mar em que me afogo


Londres, outubro de 2008



quinta-feira, 11 de março de 2010

MAGIA E CONFISSÃO







esse time tem magia
na verdade da vitória
na raça no campo e na bola
dez que se fazem um
e se desdobram em mil
batidas do coração

é assim
caraca!
hoje foi em Caracas

rubronegro
eterno eu já sabia



Rio, 10 de março de 2010




quarta-feira, 10 de março de 2010

O POEMA






O POEMA
[uma interpretação]
um poema-teoria para Claudia Ferraro


O encanto poético é mágico
palavras que se juntam e partem
para quem as quiser receber
como os sonhos
produtos do inconsciente
para ser encanto.
Magia é o sentido de encanto
uma percepção inexplicável
um ritmo interno
que está na metáfora
nas sílabas justapostas
nos acentos e tons a perpassar o poema.
Às vezes o ritmo é forma
outras tantas é sensivelmente idéia
fundo poético
nunca é lógico
na explicação linear
nem na discussão dialética.
Prosa é razão
poesia é emoção
menos do que sentimento
uma sensação
abstrata sutil sem razão
aparente.
Inicialmente o encanto é do poeta
enquanto escreve
ao descobrir o transporte
que a palavra propicia
entre o inconsciente e o texto
cujas idéias insinua;
acaba por ser do leitor
finalmente
quem lê e recria
o mesmo texto
em outra dimensão
que é a da sua cultura
sensibilidade e imaginação.
O poema é livre
o poema voa.

Flávio Perri
Londres, maio de 2008.




quinta-feira, 4 de março de 2010

FÉ







nem tão só que me renovo
se não é fé passa por ser
a vida sonhada no amanhecer
com sol luz e calor
quando sinto reviver
talvez o que novo seja amor

nada a esconder
tudo tão claro à noite cada dia
quando sou eu e o momento
do presente sem passado
de um futuro renovado

saudade do que não fui não tenho
sou quem sou
sinto o instante
suave o sentimento
e vivo sob este céu
apenas o que é meu

NYC, março de 2010



SAUDADE







os sonhos são outra coisa
nem tudo é realidade
muito lembra saudade

o tempo passa o verde seca o amor não dura
tudo é realidade
e isso é saudade

a esta altura sou eu só
a realidade o sonho
e essa melancolia

NYC, março de 2010





PAIXÃO








não sei que vida eu deixar não quero
se a que tenho ou a que sonho
e não sei qual delas vive neste verso

transitório sou neste dia claro
que o vento sopra
e a noite vem

mas a alma que encontrou prazer
não abandona o corpo incerto
em meio da paixão

nada temo enquanto existo
o tempo passa
e tudo é isto

NYC, março de 2009