domingo, 16 de maio de 2010

VERDE MAR









que pensas ao deparar verde o mar
que pensas em ali estar
que pensas?

a mim me encanta vê-lo marejar
em ondas que vêm e vão
no movimento incessante
de ondear

imenso vem-me o espaço encontrar
vai o sonho a me levar
amante
por nada troco esse mar

brancas enfunam o vento
o sol e o céu desnudado
velas ao largo distante
macias a navegar

perco-me a alma a pensar
no tempo que finge ficar
no amor de amar esse mar

Rio, maio de 2010





sábado, 15 de maio de 2010

POETAS






Recado para Nydia Bonetti



na "estatura da sombra" sobreviveremos poetas
que ninguém lê exceto nós mesmos
"coisa, aliás, de pequeníssima importância"

Rio, maio de 2010




O MEU MAR








de volta de terras estranhas
reencontrei o meu sempre sonhar
estive só comigo
hoje tenho esse mar
planura verde
praia branca
verde de branco ondear

nos dias de sol faz-se prata
de ouro se deixa enfeitar
e o temos claro
no aprendizado de amar

à chuva se veste de cinza
bruma vista por dentro
gosto de pranto
tristeza no sombrear

aqui sinto tudo
o que fui
o que sou
o que tenho sido
tudo que é sentido
a direção e o passado

voltei de terras estranhas
e recordei toda a vida
na imensidão desse mar

Rio, maio de 2010



MENSAGEM A UM POETA





[Adriano Nunes]



tu vestes bonecas
de porcelana e de vida
tu és poeta
e eu de partida
bem vindo Adriano
te espero no tédio
o mesmo que é teu
com a só diferença
não a descrença
longe de ateu
apenas sou eu


Rio, maio de 2010



MOTE E GLOSA









Proposta [Nydia Bonetti]:

vermelho
o flamboyant se esconde
em outonais dormências

Glosa [eu mesmo]

flamejantes
no seu tempo curto
flamboyants ardem de vida



Rio, 15 de maio de 2010


quarta-feira, 12 de maio de 2010

ALMA INVISIBLE







"De dentro tengo mi mal,
que de fuera no hay señal"




a luz que teus olhos alcançam
interrogam o que vês
e não sou eu que alcanças
mas tua visão

dispo-me e não há outra imagem
senão do homem despido

que estranho ver e não compreender
a vocação dos seres de ser
e nem um pouco parecer

Rio, maio de 2010




MÁQUINA DE FAZER FELICIDADE







ninguém conhece o caminho

nem a fala nem o silêncio

nem a outra face

do que seja ser feliz


sei onde me levam os passos

o milagre cada dia

que em cada manhã amanhece


a alegria de ser triste o tempo que se perdeu

é tudo que tenho nas mãos


ser feliz talvez seja não ser triste

e viver tudo que existe

ao alcance da mão


como quem dança

escrevo o que me dizem palavras

e não nega o coração


Rio, maio de 2010