"Porém, pera cantar de vosso gesto a composição alta e milagrosa, aqui falta saber, engenho e arte." Luís de Camões ... assim encontrareis aqui palavras magoadas a tornar o fogo frio e dar descanso a minha alma condenada ...
terça-feira, 27 de setembro de 2011
VAGA VIDA
perguntas sem respostas
perplexidade são
complexas
simples em garrafas
tontas em ondas do mar
frio nem parece coração
refrigerado no "freezer"
da alma encarcerada
noite e dia apaixonada
sem objeto ou razão
feliz quem sorri
não por alegria
mas por nostalgia
de um tempo bom
que passou
primavera primavera
tenho por timidez
de descrever no outono
frutos descaídos
breve duros
que gelados ficarão
a primavera passou
mas amar é destino
consciência desatino
no outono
de confiar em ninguém
assim de perguntas sem respostas
vive o amor no temor de ser flor
sem perfume
da primavera que longe ficou
vaga vida
fria já quase muda
no "freezer" de meus poemas
que sem começo
não têm mais fim
Rio, setembro de 2011.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
NOS RECANTOS DE MEU SER
um cansaço esquisito toma conta de mim
de ser e não poder ser
o que apenas pensei
ser o que sempre fui
andei por anos disfarçado
em roupas engalanado
mas pensei que o meu eu
era forte bastante para ser meu
enganei-me não era
mas em todo caso erguia a bandeira
de meu país
aqui estou já vencendo o tempo passado
querendo viver o que fui em tempos remotos
um homem comum sem preconceitos
para gostar de gente
não importa se pobre ou rica
pessoas a quem posso amar
para lhes dar o que em mim me sobrou
nem inveja nem ciúme nem ódio
nada sinto ao viver
o homem simples que sou
tudo tenho tudo ganhei
e sou feliz de saber que ainda terei
o que nem procurei
amo a vida minha gente meu mundo
amo mulher filhos meus netos
amo desconhecidos
no vasto mundo perdidos
guardo um modelo do caos
na alegria desse rastro lunar
de claridade e paz
d"os recantos de meu ser" [1]
Rio, setembro de 2011.
[1] Carlos Drummond de Andrade
UM MUSEU
a porta de Kafka nem abriu
e o inseto passou
sem chave foi ver outro lado
e tudo que viu detestou
nem amor viu
horrendo ninguém o quis
'eu te amo'
não ouviu
quem pode amar um inseto
ainda que vida
na forma de inseto
viu o lobishomem
o homem mesmo
era o mundo
de frente costas e perfil
é tempo parece
de partir deste museu
Rio, setembro de 2011.
ERA ISSO?
nem é curta a vida
nem longa pode ser
pois ser humano cansa
até mesmo de viver
a China fica distante
acho isso muito bem
tem lá tanta gente
e trilhões pra especular
esse imenso poder
muda minha cartilha
pode mover a moeda
pra ganhar guerra comercial
aqui a Copa do Mundo
toma espaço nos jornais
diz que o Maracanã
nem pronto estará no final
o desastre anunciado é formal
é grotesco triste talvez
no país do futebol
a gente virou egoísta
cada um cuida do seu
nem se importa com o outro
que apenas sobreviveu
no cenário industrial
é melancólico
ver pessoas discutindo
o ovo de botar em pé
e o ambiente cortado pelo meio
meio está meio ficará
cansa a vida cansa de tanto viver
nada restará nem mesmo o nome
do que já fiz ou farei
sou sobrevivente de não me saber explicar
Era isso
chego mesmo perto do fim
e nem liberdade terei
paranoico
vigiado até o fim
'não estou mais na idade
de sofrer por essas coisas...' [1]
pergunto
há idade de sofrer
ou é esse o nome de viver
era isso?
Rio, setembro de 2010.
[1] Carlos Drummond de Andrade
O TEMPO
meu tempo hoje é qualquer tempo
tempo de escrever
tempo de ler
tempo de pesquisar
tempo de meditar
até tempo de amar
o tempo que me enriquece
a cada dia entristece
porque me afaga
na despedida
de quem se vai ao passar
todo tempo é tempo
tempo de bem viver
tempo de reconhecer
que curto é o meu tempo
nesse tempo de viver
o tempo não me resta
o tempo foge
afasta-se de mim
desde a hora de nascer
até chegar ao fim
na hora de morrer
se o tempo passa
eu fico
e não me mortifico
porque o tempo tem de passar
e eu o terei na eternidade de amar
Rio, setembro de 2011.
domingo, 25 de setembro de 2011
O AMOR
"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade."
Carlos Drummond de Andrade
e tento seguir o poeta, escrevendo:
...um dia descobrimos que temos tudo e nem fizemos por recebê-lo, mas tivemos amor dos pais, da família, da mulher companheira, da compreensão afetuosa de amigos, da educação para a vida. Na verdade não sofremos, pois o amor veio como dádiva. Mais que receber o amor é dom, é entrega no momento preciso. Assim, o amor é a atenção, é o gesto, é a capacidade de não o matar por egoismo...
Carlos Drummond de Andrade
e tento seguir o poeta, escrevendo:
...um dia descobrimos que temos tudo e nem fizemos por recebê-lo, mas tivemos amor dos pais, da família, da mulher companheira, da compreensão afetuosa de amigos, da educação para a vida. Na verdade não sofremos, pois o amor veio como dádiva. Mais que receber o amor é dom, é entrega no momento preciso. Assim, o amor é a atenção, é o gesto, é a capacidade de não o matar por egoismo...
Rio, setembro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
ERA SÓ ISSO?
viver tanto parece tão pouco
nem comecei a sentir o gosto do amanhã
quando ontem está tão próximo
meus 20 anos ainda presentes
foram felizes
recuso-me a partir
recusarei todas as tentações
para esperar o que acontecerá
no futuro que não me seria dado viver
nunca supus amar a vida tanto
descobrir presenças novas
que ressuscitam prazeres jovens
e renovam percepções
Ana Luiza, Alice, Pedrinho
Lucas que está por vir
viverão sem mim...
por eles fico
mas sei que pela vida passo
enquanto resisto
viver é muito bom
mas ao chegar a hoje
vejo
e era só isso...
Rio, setembro de 2011
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