a alegria frágil das angústias ausentes
é o que feliz levo a caminho do mar
infinito no espaço sem os limites das horas
minha vida é cada dia
um orgasmo de exaltação
um lapso na alegria de ser
assim invoco meus dias
convoco meus manes
para um passeio entre os deuses
tantos aqui e além
onde a luz se demora
sem ilusões ainda sonho
embalado pela música do tempo
é dentro de mim
que toda força descansa
no horizonte de mistérios entendo o voo da ave
como chave para descobertas
aqui tão raras
hesitantes o mar faz-se em ondas
no vai-e-vem que espero
devolva-me o tempo
Rio, abril de 2012.
manhã de sol e Ipanema
a claridade me desperta
para a beleza do dia
visto a praia branca
de ondas que se esquecem de ficar
deixo na obscuridade de meu quarto
o que sonhei
e o silêncio da noite
abro a porta para um dia sem mistério
exceto o do horizonte distante
são verdes as águas do mar
Rio, abril de 2012.
...por mim mesmo acho a noite que virá supérflua
nada mudará
e o obscuro túnel do tempo por onde caminharei
deixará atrás tudo que amei
e eu
perplexo
entenderei que tudo era não meu
mas para que entender se eu já não serei eu
e tudo continuará
sem mim...
Rio, abril de 2012.
... a saudade é beleza presente de uma ausência sentida...
[ainda pensando em Borges]
Rio, abril de 2012.
" A esperança é a saudade do futuro que ainda não temos."
Jorge Luís Borges
[citação de memória]
Rio, abril de 2012.
...e a esperança é beleza que antecipa o sentimento futuro ...
[inspirado no axioma poético de Borges]
Rio, abril de 2012.
a beleza é o que sinto
no olhar
na percepção de meus sentidos
no toque personalíssimo do sexo
no sentimento pungente do amor
se é triste revelará tristeza
e meus olhos chorarão
o sonho que me frustrará
mas a alegria de sentí-la
faz-me viver
Rio, abril de 2012.