"Porém, pera cantar de vosso gesto a composição alta e milagrosa, aqui falta saber, engenho e arte." Luís de Camões ... assim encontrareis aqui palavras magoadas a tornar o fogo frio e dar descanso a minha alma condenada ...
quinta-feira, 26 de abril de 2012
O FIM DO MUNDO [II]
* * *...nao nao sinto o fim do mundo* *não me perdi para a vida* *que na idade parece interrompida* *às vezes quando o sol se põe* * * *tivesse nada conhecido* *a ninguém amado* *ainda assim passou por mim* *a juventude* *memória de alegria e de ternura* * * *quem hoje sou ainda é jovem* *que me encanta tudo* *no que descubro* *da beleza quando nasce o sol* *ou quando reluz a lua* * * *e cada dia repete* *o irrepetível sentimento de estar* *em meu lugar* *o mais antigo* *o mais recente* *onde posso ingenuamente amar* * * *Rio, abril de 2012.* * * * *
quarta-feira, 25 de abril de 2012
O FIM DO MUNDO
...nao nao sinto o fim do mundo
não me perdi para a vida
que na idade parece interrompida
às vezes quando o sol se põe
tivesse nada conhecido
a ninguém amado
ainda assim passou por mim
a juventude
memória de alegria e de ternura
quem hoje sou ainda é jovem
que me encanta tudo
no que descubro
da beleza quando nasce o sol
ou quando reluz a lua
e cada dia repete
o irrepetível sentimento de estar
em meu lugar
o mais antigo
o mais recente
onde posso ingenuamente amar
Rio, abril de 2012.
sábado, 21 de abril de 2012
RÉQUIEM
...e o dia termina pagãmente
ao som de Mozart sem capelas
em seu Réquiem de indizível suavidade
solene ritual em que o divino
repousa fielmente sob o gênio
Rio, abril de 2012.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
APÓS MICHELANGELO
próximo à noite silenciosa
um corpo espera o meu desejo
e nada me prende alcançá-lo
exceto a vida
reconheço nele a ternura
e a beleza equilibrada e pura
após Michelangelo o Davi
que me fustiga
reconheço
a delicia de sentir
o apelo dos sentidos
e me castigo
estremeço
o amor que tenho no poema
sonha contra o vento
arde
Rio, abril de 2012.
AMOR ETERNO
[de um esboço de 2006, Roma]
sei porque te querovem junto comigo
para conhecer o desejo
deixa passar as águas
ficaremos a nos olhar cristalinos
luminosos de ternura
se vivo onde nasce o sol estou contigo
tranquilamente pensando em um novo dia
e o mar imenso para navegarmos
juntos eu te queria
somos quem deixa correr as águas
inocentes diante das margens frias
levando apenas instantes sem razão
nós ficaremos
é do amor que falo
do nascer do sol sem o poente
que duradouro será o nosso dia
Rio, abril de 2012.
PALAVRAS [bis]
de onde vem o canto
entoado cada dia
pedras não flutuam
nem a brisa leva
transformar o canto em pedra?
palavras
como se a brisa soprasse
não regressam
Rio, abril de 2012.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
PALAVRAS
ninguém sabe porque escreve
escreve
mas alguém deve saber
há tantos críticos literários
eu não sei
escrevo
às seis horas da manhã
depois da noite azul
quase negra
insone e portátil
para depois de amanhã
hoje já foi
e tudo vai sem perceber o caminho
nem a direção
vou indo
acompanhando as palavras
nem sei onde chegam
mas chegarão
basta escrever para dar sentido
e fazer a vida leve
onde pesa o compromisso
ao menos se escrevo lembrarei
que escrevi no dia dezenove de abril
de dois mil e doze
palavras que me surpreendem
modernas para alguém tão antigo
na falta de brilho de uma vida opaca
quase a chegar ao fim
falaria de amor
se não provocasse a desconfiança
de que amei muito
duas vezes
três
muitas vezes
muitas vezes
separadas ou simultaneamente
o amor não se conta
até porque revela-se diferente
a cada caso
enquanto passam as águas do rio
mas a juventude que ainda vem da fonte
límpida brilha quando me esqueço
a idade e viro pedra
imóvel
eternamente jovem
tudo são palavras que se afogam em poemas
em busca da forma
da ideia
ao rumor das asas da borboleta
só palavras
neutras
nem ciúme nem inveja
nem raiva nem ódio
amor talvez
sentimentos desconcertantes para quem se descobriu simples
um homem
passado tanto tempo
sexo movimenta demais
o esforço encanta
mas cansa
quê diria um menino na força de seus anos
velho
que não sou
colho o dia como flor que me apascenta
aprendo o perfume
apreendo o sentido
tranquilamente sabendo que estou aqui
agora
palavras perdidas
emaciadas arrependidas
do que fiz ou deixei de fazer
da criança que fui ao adulto que não sou
não sou triste
nunca fui
mas hoje em dia diriam-me bipolar
o que muito me intrigou no laudo médico
que me descreveu
psicótico-maníaco-depressivo
nem fui nem me senti
entre humores
vivi alegrias
psicótico-maníaco-depressivo
nem fui nem me senti
entre humores
vivi alegrias
deixa estar
palavras rápidas quase brisas
perdidas no vendaval da vida
deixa estar
este é o momento em que perdi a virgindade
para entender
que bom mesmo é viver
Rio, abril de 2012.
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