sexta-feira, 26 de abril de 2013

ILUSÃO

amar com cautela 
é não acreditar
pensando nela

o amor engana

cuidado
tudo é cifrado
onde parece carinho
pode ser só descaminho

Rio, abril de 2013.



ESCOLHOS



a consciência não inclui tudo
ter alma talvez

se penso na morte
é largo o mar
muito há por navegar

consciência aos pedaços
náufrago no universo
navego na direção do que vejo
escolhos a terra e o céu

Rio, abril de 2013.




terça-feira, 23 de abril de 2013

A PORTA



A porta fechada é real
porta
de nenhum para qualquer lugar

portas para serem fechadas
como o dia que deixa a manhã
tornar-se tarde até anoitecer

a porta existe
para o surreal


Roma, julho de 2005/Rio, abril de 2013


















segunda-feira, 22 de abril de 2013

NO RITMO DO TEMPO


olhar trespassado pelo sol
desejos insaciáveis sensações
inadiáveis dias

o verão prenuncia
um outono transitório
e o sol que se despede
a dar lugar à lembrança
fria
do implacável tempo

Roma, julho de 2005/Rio, abril de 2013


















domingo, 14 de abril de 2013

DESVARIO


isso de ser poeta é ser vario
um pouco como não ser eu
há um que me instiga
outro que me castiga
para refluir já diverso
nesse vai-e-vem inconcluso
na composição de meu verso
o real é insincero 
o sonho louco desvario
nele não sou alegre 
nem triste sou 
hesitante
entre a eternidade e o instante
entre a terra e o céu

canto o que não sinto

caótico disperso
inconscientemente minto 
em frases de efeito certo
palavras que não têm nexo


Rio, abril de 2013.


domingo, 24 de março de 2013

TRISTEZA


a noite longa sobrevoa
o tempo que se esgota
na tristeza estranha de uma ausência
a lembrar passado
machucar presente
para indagar futuro
desconcerto
da ansiada presença
em cujo rastro vivo


Rio, março de 2013















terça-feira, 19 de março de 2013

DIA E NOITE


a beleza do dia
é a beleza da luz
o dia é alegria
que encanta e seduz
a noite muda de nome
escura é ilusão
do claro atrás da lembrança
da beleza da esperança
nada é em vão


Rio, março de 2013