terça-feira, 13 de agosto de 2013

TUDO E NADA



por vezes o mar escuro* noite a dentro
é abismo onde me afoga a solidão
do fim de existir
busco a razão de chegar onde cheguei
nesta planície quando pouco resta a desvendar
exceto o mistério de tudo
e a validade do nada

é muito pouco para continuar a viver


*diante de minha janela

Rio, agosto de 2013



PASSAR PASSANDO



o rio escorrega pelas pedras
leva o segredo bem guardado
de passar rondando poços
lento quase devagar

por quê apressar
se a planície é rasa
e o homem nem presta atenção
as águas sabem onde vão

Rio, agosto de 2013



segunda-feira, 5 de agosto de 2013

ANA LUIZA (a luz do luar)

para Ana Luiza 
no seu aniversário de sete anos

você trespassa minha vida
como o luar que alumia
a varanda de meus tempos
por onde entrou o seu amor

vi-a nascer enquanto renascia
por seus dons e encantos 
a beleza
de ser primeira a inspirar meus versos

com você tomei as primeiras lições
de ser avô


Beijarei você (ternamente) no seu dia (12.08)

Rio, agosto de 2013




 

domingo, 4 de agosto de 2013

FUGA



por essas e outras coisas
tudo quando termina
tira um pouco do senso
de quando começou

tenho a memória do ritmo
e do som dessa água
toda a agonia do  rio
uma só vez a passar

mais além do outro lado 
à distância que está
tão perto tão longe
o inútil inquietar

sinto a tensão 
da energia e da sombra
sob a terra macia  
onde não há desafio

esse é caráter da fuga
sem resposta na curva de ida
essa não é outra coisa
mas ela mesma sentida


Rio, agosto de 2013



sábado, 3 de agosto de 2013

AUSÊNCIA


a noite desiluminou a lua
da janela o mar rola suas águas
em ondas intuídas sentidas
deste lado jaz o silêncio  
enquanto a memória busca ideias 
que se esvaem no tempo
inconsequentes

é noite surda sem presenças

Rio, agosto de 2013




VERSOS


versos nunca são meus

palavras estranhas a minhas mãos
surgem ressurgem uma outra mais outra
sob meus dedos
perdidas sobre um papel 
qualquer

Rio, agosto de 2013



PALAVRA



no papel a palavra trespassa
o eu que escrevo

inércia sem ritmo ou sonoridade
na vastidão infinita dos sentidos

impulsos sobreviventes 
onde me afogo 

Rio, agosto de 2013