sábado, 1 de fevereiro de 2014

MEUS/ RESERVA!



praia mar céu azul
começa a aurora o despontar do dia
I had slept under the dark sky
e o mesmo céu me abraça no suave enleio 
do despertar
rendo-me à beleza
e o céu azul
e o mar azul
são-me sinal do deus
que me reservou tais dias  

Rio, fevereiro de 2014.




















UNIDADE



quis cantar o mar
encantado mar de onde sopra a brisa
salgada brisa da manhã
borrifo agridoce névoa sobre a praia

breve o vento passárá para dispersar 
o segredo dessa bruma cinza
e a natureza falará do azul do céu
sempre azul nos sonhos de meus dias

deixo atrás o canto inicial
para descobrir a unidade
entre céu e mar
vento e bruma

não a sei descrever
talvez leve comigo esse segredo
quando eu não for mais

Rio, janeiro de 2014.


PRAIA


praia de minha manhã
praia de minha casa
areia e mar
ouço teu marulhar macio
e o sonho frio
de tuas águas é verão
praia minha 
casa

Rio, janeiro de 2014.



O DIA AZUL



era azul o azul do céu às seis horas da manhã
e uma estreita fímbria de lilás
era a aurora que terminava era o dia que despontava
o mar imenso mergulhava em claro
o dia azul

Rio, janeiro de 2014.



sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

SONHOS/DESEJOS



anos passei com a visão do horizonte
reto inatingível distante
nunca soube avaliá-lo corretamente
hoje aos setenta e três fiz a descoberta
e o encontrei curvo, flexível e próximo

sonhei com o inatingível
mas realizei parte dos sonhos
não me neguei o que sou
mas não sucumbi aos desejos
não os confundi com quem sou

hoje aos setenta e três
posso ser flexível
posso realizar meus desejos
que o sonho foi minha vida

Rio, janeiro de 2014.




VONTADE E DESEJO (reflexões maduras)



não quero passar uma percepção irreal  

hei-de sentír a verdade
para refletir a realidade

o desejo não é o caminho reto

só a vontade pode trilhá-lo

por isso reconstruir a memória

é fator dominante
para não errar nos descaminhos

é difícil eu sei

derrotar o falso sonho
travestido em desejos
e adotar a vontade
como caminho da realidade

mas é preciso

derrotar o orgulho
repensar a vaidade
como formas do erro
que vem com a reincidência
nascida na auto-complacência

ter memória é preciso

para caminhos e descaminhos
trilhados ou abandonados
porque na enorme estrutura do mundo
há uma porta só
e nela se lê que a virtude
está em ser íntegro afirmar a vontade
e reconfirmar a verdade
para compreender a realidade

sonhos não são desejos

nem sonhos se constroem com desejos
vontade é o caminho reto

tudo o mais é ilusão


Rio, janeiro de 2014.




quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

LIMITES


aos setenta e três diz minha intuição
sensatamente
pouco haver para criar
reservo-me o direito de ignorar facetas de meu inconsciente
como o ar se esquece das aves os mares dos peixes e a floresta dos répteis
mas o farei

ignorarei o amor mas não deixarei de amar
ignorarei o tempo mas ele não deixará de passar
ignorarei meu corpo mas ele não cansa de decair
ignorarei o mundo mas ele está em torno de mim

não posso ignorar a vida 
não devo ignorar a alma que me provê transcendência
não abandonarei meus sonhos são a essência de mim
insistirei na poesia perdida por me salvar

lenda ou sonho realidade ou fato
o poema é o meio por sobre a montanha
de cuja altura avisto

esquecer ontem viver hoje pressentir o futuro são o inevitável
que eu não quis mas não se acaba assim

passou o vento e a tempestade
há quanto tempo nem sei
levo o sonho que vivo seguro por me salvar

gente me enche a vida
jovem traz-me a alegria 
que nas crianças são o bulício

nesta idade o sol está no poente
o romance apenas iniciado
o poema inacabado
e o amor com força presente
no claro do luar que suave ilumina a escuridão

para além disso sou gente
para aquém disso nem sou

Rio, janeiro de 2014.