sábado, 23 de julho de 2016

VERDADES x PALAVRAS



para Nydia Bonetti



verdades são abismos tragados por palavras
nem uma vinga
nem a verdade nem as palavras
sossobram no desconhecido do tempo


Rio de Janeiro, julho de 2016

quarta-feira, 20 de julho de 2016

TEU EU





desço a ladeira  

sabedor do que não sabes
do muro do horizonte desonrado

é pouco ir além

nada é avançar
se não cresceres

vivesses o essencial
na trilha que te destes
estarias no rumo
do entendimento

hás-de repintar o que te encobre

não para seres público
mas para como a água de um rio
ignorar as pedras do caminho

não te reveles 

deixa às margens o que passa
e corrói teus dias
a vida é fugaz 

simples sóbrio verdadeiro

só teu eu te ilumina


Rio de Janeiro, julho de 2016



    

PERPLEXIDADE




no que sou perdi-me
mais seguro estive enquanto fui
uma ideia vivida
que não me ocorre mais

dominado pelo transladar do sol
passageiro da luz que se mitiga
o que pressinto nada vale
no escuro da noite lunar

com o pensamento posto no presente
nem o passado sinto
mas o medo do que não sei

sou eu no claustro em que me resta
esse silêncio aterrorizante de pensar
o inevitável impulso do fim  

Rio de Janeiro, julho de 2016 



domingo, 8 de maio de 2016

MÃE




Sem o dizer sinto que sinto
mas a palavra me falta onde procuro 
o sentimento para lembrar o tanto
que na infância e juventude foi encanto

passou e me serviria o tempo
para lembrar passando
o que fui devendo
(que hoje sei) o que foi sentido

a me conduzir a passo 
por longitudes e latitudes 
a mirar o mar desde a nascente

este talvez seja o maternal segredo
de ver ao longe o tempo 
e assim fazer-me ser o que hoje escrevo 


Rio de Janeiro, maio de 2016
   

sábado, 9 de abril de 2016

OFÍCIO DO VERSO



talvez amanhã o sol se faça
e eu comece a pensar versos
diante do mar aberto
logo ali debaixo de minha janela

embora outono
sempre os domingos
têm um ar de verão
e aquilo que eu veja
nem seja o sol
mas o pasmo essencial

e sentado aqui escrevendo
que ideias dirão as palavras
não me perguntes
que pensando em tudo isso
versos virão como ondas

nesse ofício dos versos
não importa a estação
é como ser não sendo
ardência do coração

não importa o que escrevo
é tudo simples e chão
entre o sol e o pasmo
diferença não há
tudo é igual

o que lês é diverso
nem sempre simplicidade
algumas vezes é barco
outras é triste
demência da solidão

Rio de Janeiro, abril de 2016




ESPANTO




pasmo diante do inusitado
mesmo à sombra do passado
mesmo entorpecido pelos fatos
perplexo diante do banditismo
dos traficantes do asfalto
dos assaltantes nas praias
dos governantes petistas
sem ignorar os fascistas
e alguns meritíssimos Ministros
enquanto a história
como farsa
nos espanta cada dia 

Rio, abril de 2016

sexta-feira, 8 de abril de 2016

DIA DE SOL




há dias ensolarados que nos desafiam 
ondas verdes marcam o compasso
da gente na areia branca 
na adoracão de corpos 
morenos
é preciso ser jovem para saber o que pensam
a personalidade que ostentam
na divagação ofuscante do horizonte
sentindo a existência apenas

que compreensão um poeta místico
pode buscar desse recolhimento exposto
senão o que vislumbra de uma janela aberta?
que beleza há nesse conjunto
de sol e corpos no marejar distante
em versos que fluem ao sabor do vento?  

Rio de Janeiro, abril de 2016