sábado, 17 de setembro de 2022

POEMA DE AMOR

 



de baixo para cima eu vejo você 

eu vejo você em mim

nós que nos entendemos

e vivemos um amor sem fim


poema de amor é pouco natural

em idade artificial

velho não sabe amar

só sabe sobreviver


o exercício de escrever

disputa com o fim do viver

lembranças memórias

ajudam a vida caduca

recordar antigas glórias

palavra que reeduca


Rio de Janeiro,  17 de setembro de 2022


sábado, 6 de agosto de 2022

TEMPO

 


se busco a palavra

encontro lembranças

que me fogem à memória

soltas irriquietas

porque não me trazem de volta

 ao passado

mas me obrigam a lembrá-lo


muito do que me ocorre me agrada

ou me sufoca

curva sinóptica

que preferia reta


nada posso fazer

senão deixar passar


irrecusavelmente

ultrapassado


Rio, agosto de 2022

  

terça-feira, 21 de junho de 2022

UMA CANÇÃO PARA A MULTIDÃO

 

lembrança da juventude
[a que tivemos e a que hoje se manifesta]


viandante viandante
saia à rua e caminha
a via é estreita
longo é o caminho
enamora-te do sonho
mas não durmas
canta uma canção
cantemos
cantemos todos
uma canção de liberdade
justiça
democracia ambiente e sociedade
que é da gente
da multidão já cansada
de viver na ilusão
somos todos caminhantes
silenciosos
maioria que não fala
mas alma
que não aprendeu a calar
Justiça
Democracia Liberdade
Ambiente e Sociedade
viandante
é caminhante que não cala
cem duzentos hoje trezentos
milhares a entoar o mantra
que nos fala do presente
ansioso
pelo futuro diferente
cantemos
cantemos todos a canção
que é da gente
da multidão já cansada
de viver na ilusão

Rio, junho [nas ruas] de 2013

segunda-feira, 20 de junho de 2022

SOLSTÍCIO

 


quando o dia chegar

não será escuro

nem precipitará o abismo

mas revelará a vida


como o soltício de inverno

vinte e um de junho

o sol no sul reduz-se

ao próprio tempo sideral


resta então a confiança

no tempo que passará

para alcançar o seu oposto

de verão


e o calor da vida

aquecerá os que alcançar

nesse novo tempo

do sol sobre o astro submisso

no espaço


Rio de Janeiro, 20 de junho de 2022



RENASCIMENTO

 



sempre existe a esperança
de que a vida que a alma tem
renasça pura criança

Rio, junho de 2013.

sexta-feira, 17 de junho de 2022

SER

 


na solidão de hoje

a consciência é nosso único bem

o tempo vencido é inútil agora

só a memória nos permite viver


das promessas  

permanece a esperança

esse é o destino

esperar o futuro e crer


ao futuro devo o presente

que me reconforta de ser


Rio de Janeiro, junho-julho de 2022.

MISTÉRIO

 


mudam os tempos
mudam procedimentos
enriquecem comportamentos
a idade prevalesce sobre desejos
a vida ganha riscos do presente
pouco resta do passado
exceto filhos
e a alegria dos netos
o amor com outra face
na vida a dois que enobrece
nada deslembra tempos idos
nada desaparece
apenas o mistério
encarregar-se-á de nossas vidas
no tempo

Rio de Janeiro, maio de 2022.