terça-feira, 17 de agosto de 2021

NOTURNO

 

                                                                                                          Noturno Opus 9 número dois


claras 

delicadas 

qual estrelas 

tocadas uma a uma

no que fora uma distância

agora dissolvida


luar de sonhos

entre sonhos

fugidios

desliza tua mão 

no remanso

noturno dos sentidos


lembranças

misteriosas imagens do passado

felizes

ora serenas

ora em lágrimas desfeitas


Chopin opus 9

primeiro na memória

segundo 

na suave brisa

do gênio apaixonado


brilha tua presença

leve toque da saudade

em mim

sombra doce 

da alma que me vem 

e me pertence


Rio, agosto de 2021 

     


  



domingo, 15 de agosto de 2021

VIDA

 


entre sonhos 

e fatos 

não me surpreendem caminhos 

ínvios e viáveis


soluções

entre erros 

talvez irreparáveis


 

com certeza entretanto

sobrevivo


sonhando


Rio de Janeiro, agosto de 2021






domingo, 8 de agosto de 2021

PAI



contemplação até o impulso

da visão de ontem 

tanto tempo

em busca da face oculta da lua


saudade

traz à vida fatos

e faz história


tão perto do irreparável

recolho a memória dele

e me envaideço

do pai que foi


tudo é breve

não se retorna no tempo

o breve ser 

entretanto não me amarga a vida

enriqueceu-me


deixe-me crer 

que dele herdei a boa cepa

"nem quero mais que o dado

ou que o tido desejo" (FP)


foi só o tempo 

e o milagre de também ser pai

que em resumo é vida

tudo mais é pensamento


Rio, 08 de agosto de 2021 - dia dos pais - (Fernando Pessoa)

(www.poemasinconjuntos.com.br) 





domingo, 9 de maio de 2021

O MISTÉRIO DA VIDA (mães e pais)

 


saudoso de quem vejo em sonhos
a vida lembra tantos anos
do então futuro
remoto
ensinou-me a vida
o lugar onde o futuro chega
e afirma fatos
mas cala
na lembrança da expectativa invertida
e lhe dá razão a ela
caminhos que trilhei
murmuram o gosto de lembrar
quando o derradeiro se aproxima
e não me toca
pois esse é o tempo
do mistério
que o amor deles fabricou
fitos no futuro que passou
direi
“perene flui a interminável hora”
de quem somos
a estar tão perto do que longe jamais foi

Rio de Janeiro, maio de 2021, domingo das mães


sábado, 17 de abril de 2021

FIM DO CAMINHO

 


não fora da razão
trago a memória no coração
dos meses dias e anos
da construção
de uma ideia de ser

e quando é noite
tudo parece transitório
sujeito de paixão

o tempo é quadro da história
que lembrar machuca a cada hora
de pensar só pensar
no que pode não ser
neste final
se ainda demora

saudade do que não pude ser
tristeza de perecer
e não o fazer

Rio da pandemia, 17 de abril de 2021

terça-feira, 6 de abril de 2021

SORTE

 


o que não se revela

esconde a ilusão e o sentimento


como fato invade a alma

sorrateira descoberta


não o sei dizer em palavras

traem juramentos


nada posso contra consequências

da revelação fora do tempo


como a sorte não escolhemos

os caminhos que tomamos


sorte 

vista por dentro

inesperada

oprime e desampara


Rio da pandemia, abril de 2021.

 

  

segunda-feira, 5 de abril de 2021

FIM E RECOMEÇO

 

Já o outono chega  

e a manhã desponta ilusionista

não há neve nem as folhas caídas

ainda

assim é o que sinto

no ato simples e diário

de esperar o sonho

não o "cárcere do universo" (1)


como sonhos são sonhos diferentes

um de vida como anteontem

outro de perda no fundo do infinito


nesses momentos surge em mim o homem

a contemplar o o amarelo virtual e o branco de ideias

inglórias como folhas caídas

e o nada da vida


diante do inevitável ocaso 

resumo o pensamento ao sentimento

e vivo intensamente

o que sinto


Rio, abril de 2021, tempo de pandemia e solidão

(1)Jorge Luis Borges