domingo, 10 de maio de 2020

MÃE SEMPRE MÃE




um dia a vida nova virá

(devagar será entender
devagar porque não sei se estarei)

seremos neste mundo ainda
surpresos pelo resultado
do que nos dará
o que sonhado éramos nós
terceirizados
virtuais
imunizados
e distantes

devagar em divagar
que a proveta

não se afirmará
mas a mãe
como antigamente
soberana sorrirá
no ato de parir

o filho desejado

e felizes
viveremos
um novo dia das mães

Rio, 10 de maio de 2020.


segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

BEIJO DE ANIVERSÁRIO




para Cecília, como um beijo


o sonho é o sono com ilusões
assim a vida que ligeira como vento 
passa

neste final que apenas começo
aprendi a rever as ilusões
e sonhar sem sono

penso menos no silêncio que vem do futuro
para ilustrar o presente que é passado
abstrato que feliz vivemos

nada dura nem o eco que se repete
assim o presente ficção da realidade
passa assim que o invocamos

de nada me serve pensar
melhor será celebrar
hoje quando faz anos

não me interprete
não penso em nada
mas vivo feliz com o que me resta

como diz o poeta
"o fim é ao menos o já não haver que esperar"


Rio, 27 de janeiro de 2020







segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

FALSO DILEMA



à direita à esquerda 
vejo as brumas do passado
repetição e drama

sinto o tempo
permanência em mim
e sei que dezenove não difere de vinte
mas aproxima o fim

ser e viver o mundo são meu verso
em meio à desigualdade e medo
diante daquele que diverge
do natural  

amar é modo de sobreviver  
em terra ou na imensidão do mar
aos setenta e nove
renascido 
celebro ainda a liberdade

olhando para a frente
nasce outra criança
chora mas aprende a sorrir
para a novidade do mundo
livre

escrevo estes versos para superar o trauma
ao longe o mar é mais azul
e o horizonte deseja o sol

Rio de Janeiro, 30 de dezembro de 2019.



segunda-feira, 19 de agosto de 2019

AMAZÔNIA


Uma reflexão necessária:
19 de agosto de 2019

Sobre a Amazônia brasileira o problema que se está criando é menos o maior desmatamento recente e muito mais a desinteligência do que esse mundo verde representa como símbolo de brasilidade e fonte de produção na biodiversidade que agasalha. 
A Amazônia brasileira é nossa, mas parece que não se sabe de sua potencial influência sobre o clima no Brasil e no mundo. Nem é o aquecimento global, que se pode discutir, mas sem a Amazônia o sudeste e o o sul do Brasil receberiam menos chuva e se tornariam áridos; o solo amazônico é raso e, depois do desmatamento, suportará pouco tempo e se tornará ou uma savana inóspita ou um areal sem qualquer possibilidade de recuperação; seus rios secarão ou se tornarão fios d'água...
Para o mundo, a Amazônia e as últimas florestas na África e na Ásia têm sim importância climática e provavelmente serão responsáveis, no desmatamento, por um aumento da temperatura global, uma mudança no regime de ventos e uma elevação consequente do nível dos mares... para dizer pouco.
O Planeta terra não suportará a sobrecarga que essas mazelas representam e com ele sucumbirá a raça humana.
Há-que considerar consequências imediatas de um excessivo nacional-populismo (em forma mais branda, um tal sentimento nacional, mas dispensando o populismo, é desejável) que destrua instituições duramente construídas nos últimos tempos (dos quais participei) e desconsidere dados produzidos por modernas instituições científicas.Há que considerar preocupações humanitário-culturais incluídas nos cuidados com indígenas e escravos-negros históricos em pequenas aglomerações quase simbólicas.
Há que considerar nossa imagem no mundo, que condiciona interesses comerciais, empresariais e de investimento tão necessários.
A política amazônica deve ser nacional e da Amazônia sempre cuidaremos nós, mas sem agressões ou retaliação contra países tradicionalmente amigos, com os quais temos interesses compartilhados. Não há porque tratar mal o mundo, que é também o nosso mundo.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

PALAVRAS SOLTAS





eu nunca sei
se o que escrevo
foi o que pensei

nem mesmo leio

não explicarei
o que sinto
neste desterro indevido
de sobreviver em mim mesmo

quem somos
logo
não seremos mais

estar só é uma percepção
nevoenta

tudo foi fátuo
no erro de gostar do que não tinha
hoje apenas memória sonolenta

sem jamais ter sido
o que procurei
encontrei
o indefinível de existir

o Poeta diz
"comigo fui sem ver nem recordar" (FPessoa)

Rio de Janeiro, julho de 2018

quarta-feira, 10 de julho de 2019

ESPERANÇA




não me consome o tempo
mas avisa por vezes que existe
e imperceptível o instante
passa

não reconheço o fim
que tudo estranho não comove
sei que não tarda
e assim fico nesta grade estreita
a aguardar a hora

esvai-se a segurança com o vento
socorre-me a esperança
incansável sentimento
que ultrapassa o automático momento

Rio de Janeiro, julho de 2019.


sábado, 22 de junho de 2019

DIVAGAÇÃO




nem sei porque deixei de cantar os sonhos

erro?
desencanto?
não 
não é esse o caminho

o contínuo do tempo não mudou
nem rompeu a madrugada um sol sem luz
no mar indecifrável sempre o horizonte impera
no céu de azul intenso velejam nuvens 
derramam-se na areia as ondas sossegadas
e as flores vicejam coloridas na encosta sempre verde  

o destino é o mesmo
e o amor não ignora que vivemos

sucumbi ao tempo que implacável passa

talvez
como o sol que anuncia o dia e acaba em noite
alheio ao fado
invencível na rotação que nos varia a hora 

ontem já se foi
o amanhã ainda não existe
e hoje me confesso 

ignoro por que perdi o verso
e já não canto como outrora
apenas vivo 
enquanto o tempo me conduz à indesejável hora

Rio de Janeiro, junho de 2019.