quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

INÚTIL TEMPO




ah o futuro
de que vale o tempo
se nada sabemos de amanhã?

Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 2017

JOGADOR




pobre e desvestido
na solidão de nenhum carinho
a bola companheira
era vestígio do passado
jogado
em dribles à frente
história
de um menino sem futuro
olhar brilhante
curiosidade
a descobrir pensamentos
ter ideias
alimentar sonhos

corria recuava saltava
em cada bola um craque crescia
um vencedor anunciando gol
um contrato rubronegro
sub quinze
dezessete
titular

era a fortuna
de um olheiro
que o via sempre à frente
coxas firmes
pantorrilha
certeira pontaria de pés descalsos
cheio de areia
e um ralado na perna
de uma agressão descuidada

a chuteira foi o prêmio merecido
no torneio da rua
começo de um crescimento na grama
Flamengo meia
armador de primeira
goleador
do tiro certeiro
encobrindo o goleiro
excitação da vibrante torcida

seleção
é a glória merecida
na ignorância do passado
trabalhador de passes certos
quatro linhas

Rio de Janeiro, dezembro de 2017


domingo, 24 de dezembro de 2017

NATAL 2017





a cada Natal o passado está presente

são doze meses
e setenta e sete anos
ao redor de uma árvore brilhante
todos todos todos lembrados
todos
queridos e esquecidos
nos desvão ingratos da memória

o que sentimos é força mística
de uma cocheira
e uma criança
com o amor que transborda
desde séculos
séculos a fora

reconheçamos as diferença
e nos façamos iguais
a sonhar com a esperança

e com sorte a acolhamos

dois mil e dezoito é o futuro
que não deixaremos escapar
para não ser apenas um relógio
que só nos diz o tempo
que falta

tempo não há-de nos faltar

vivamos felizes o que nos resta
e que passar não seja difícil
breve o tempo breve os anos
tão pouco a vida dura

somos quem nos fizemos
faremos mais
que tudo seja melhor...

Rio de Janeiro, 24 de dezembro de 2017


domingo, 5 de novembro de 2017

PERCEPÇÕES




tudo é presença 
a luz o sol ou a lua
o mar que me incendeia
toda a extensão da areia
montanhas de pedra ao redor

mora em mim a certeza
do bem por acontecer
assim tem sido
assim bem há-de ser

atraído pelo mundo
não me conquista o silêncio
"fecho os olhos, oiço o mar" (FP)
antes do sol sob a lua
o sopro da brisa é paz

assim durmo e acordo
ansiedade  
verdade 
enleio
sei que a realidade é razão
entre o que penso e o que vejo
o mais é o que não sei

Rio de Janeiro, novembro de 2017






domingo, 29 de outubro de 2017

SONS



marejar de ir e voltar
renúncia de tudo
alongada aceitação
síntese
em sons lânguidos do mar
nesse bulício distante da noite que cai

amar crer desacreditar não ver
mas sentir e lembrar  
no ritmo dos sons
alegrias e tristezas de anos atrás

ouço o eco altivo do tempo vivido
do que poderia ter sido
de tudo que sonhei

o marejar hesitante à sombra da noite
traz o passado e olvida o futuro
mas acalma e faz meditar

o horizonte fundiu-se na escuridão

Rio de Janeiro, outubro de 2017




sábado, 14 de outubro de 2017

HOJE


...para contrariar Álvaro de Campos...

por quê não hoje
se o sol brilha
e o verão me acalenta o coração

o momento é agora
que a tristeza se foi
e nada me dói

o entardecer vem com e a brisa fria do mar
e me penetrará
depois só sombras me encobrirão 
por quê deixar livre o tempo
que não volta mais

caminhar é preciso
agora
à frente sempre à frente
para sentir o tempo corrente
e o sonho ser meu

viver é não fingir a hora imaginária
fazer a história viva
a luz e todo o brilho que traz

há-de ser hoje
por entre a brisa e o vento
e a saudade atual
de nada deixar passar

por quê não hoje
que ouço bater o coração
e sinto o pulsar do desejo
e a força que a alma tem

sim
há-de ser hoje
e não depois de amanhã

Rio de Janeiro, outubro de 2017.

 

terça-feira, 10 de outubro de 2017

INSISTENTE SOLIDÃO


o que mata é a solidão
não a solidão de estar só
mas a solidão da alma

não sou triste
basta o sol
para me fazer sorrir

mas o sorriso é um adeus
que pesa em mim
na longa espera
arrastada e sombria
de um momento que não sei
distante interrogo-me
bastante como um pesadelo
ou como um sonho que se perde
e não deixa rastro
nem é meu

a inutilidade dói
nesse tempo sem tristezas
à espreita apenas
do indesejado evento
tão próximo quanto distante

resta a memória da vida vivida
sonhada e esquecida
pois não volta mais

a natureza é assim
nada do que passou é meu
apenas passou por mim

foi um tempo bom
de que me lembro e não vejo mais
tempo pleno provado sentido
da esperança viva
da construção do futuro
hoje apenas sombra
uma incerteza

a vida entretanto não exige certezas
mas a imagem de Pasárgada
a cidade sonhada

embora a estrela do poema luzindo
a vida é vazia
nada acontece exceto o sonho
de um passado ausente no presente
isso é insistente solidão

Rio de Janeiro, outubro de 2017.