segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A DREAM







In rapture's delight
I dreamed last night
Of loving you

During the coffee cup
The sun came up
And you spent the day
Loving me

Rio, fevereiro de 2011




DESEJO








canto o teu amor
para que a noite seja curta
e venha logo o dia

quero-te sol e lua em um só ardor
mas é quando te vejo
que acontece o amor

à noite a boca desejo
mas por não a ter
canto o meu querer

quero-te
quando és chama
à noite vivo a canção

Rio, março de 2011.






domingo, 27 de fevereiro de 2011

QUERER-TE







amo-te amor
sempre
como te amei do princípio

quero-te amor
como te sinto no calor de teus beijos

despe-te amor
como te vejo na nudez do desejo

ame-me amor
como te amo no instante que dures

queira-me amor
como te quero no eterno do instante

dispo-me amor
permanece
é urgente


Rio, fevereiro de 2011.





CONFLITO







havia sentido na vida quando passavas
diverso do que vivi
havia um perfume
um conflito entre a beleza e o desejo
foi assim que senti


Rio, fevereiro de 2011.




MAR






ondas
docemente
embalam meu sonho grisalho

Rio, fevereiro de 2011.





DÚVIDA






será amor
o que me dizes repetidamente?
será amor
o que tinges de branco irrefletidamente?
será amor
o que finges ser tão sutilmente?
eu já não sei
definitivamente...

Rio, fevereiro de 2011.





sábado, 26 de fevereiro de 2011

A DELÍCIA DO MAR





...e o mar deitava-se
preguiçosamente
sobre a areia de porosos grãos

...e o mar lambia
voluptuosamente
essa branca praia

...e só
escrevo para sentir
o gosto das palavras
sensuais...


Rio, fevereiro de 2011





RUMOR






o rumor da água
enxágua o silêncio



Rio, fevereiro de 2011 [sentado diante da Pedra do Arpoador]





NAUFRÁGIO







o poente do amor
não incendeia
naufraga


Rio, 18:30hs da pedra do Arpoador, fevereiro de 2011





MÚSICA








à beira-mar a lua
e essa música
tão tua...

Rio, fevereiro de 2010 [é já carnaval?]









sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

DESPERTAR






...o amor não revelado
como toda realidade é mero sonho
enclausurado

desejar e não viver é esquecer
os beijos que não dei
no tempo que passou
e não vivi

regresso agora a ti
para saber
porque ignoras essa inquieta sensação
que tenho da presença
que me negas fria e cegamente?

em tuas formas de fugir
mergulhas no silêncio
como pedra fosses
e teimosamente resistes ao sonho de sonhar

vives presa de teus mínimos sentidos
ironia resistência repetida
orgulho e insolência
no teu receio da vida que virá

há vida humana mil vozes
no mundo além de ti
onde brilha o mesmo sol que te aquece

acorda é tempo
de tornar flor o que ainda tens semente!

Rio, fevereiro de 2011




DEGREDO











o silêncio é da pedra
degredo
de nada sentir



Rio, fevereiro de 2011





quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

SONHO E REALIDADE





[a um amigo querido]



Feliz quem tem um sonho
E que faz dele sua meta

Fortes são os que a fraqueza assola, mas decidem caminhar com passos firmes;
Sério é viver problemas, mas entender que vida sem problemas não existe;
Parabéns para os que não desistem, apesar das tentações;

Homem será aquele que afasta as pedras do caminho e, determinado, avança!



Rio, junho de 2010/ fevereiro de 2011




Obs: Este texto foi inspirado em um outro, anônimo,
aparecido na Internet e atribuído falsamente a Mário Quintana.
Em junho do ano passado tomei dele duas idéias como base e redigi o que aí está.
Este não é plágio, mas devo fazer referência ao outro.







LUZ E SOMBRA




a Jung, Ianê, Nydia
e Regina Teixeira [foto]


...e a luz se fez
em plena escuridão
essa luz é onda
música e sombra


Rio, fevereiro de 2011



terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

PIPA







em busca de minha infância perdida
a pipa flutua inconstante no ar
não é ave mas vida

Rio, fevereiro de 2011






domingo, 20 de fevereiro de 2011

SAUDADE DIFUSA







saudade é mistério do tempo
antiga angústia da vidraçaria negra
entre a realidade e a vida

não sou eu mas outro
quem sente
fechada e cruel
a realidade concreta

despencam a prumo idéias
vertigem sem razão
entre a razão e a tempestade

estou isolado
por não dizer o que penso

a paranóia agride fria
essa palavra que não diz

saudade de não recuperar o tempo
saudade lúcida e louca
do que não está
mas existe

a saudade não mede distâncias
como num manicômio
onde a ausência está presente

nesta saudade falta objeto

diz o poeta
"despe-te
não há outro caminho"


Rio, fevereiro de 2011.





sábado, 19 de fevereiro de 2011

PAZ






A pedido de Ianê Mello,
um quase haikai



o homem se faz barco
para melhor navegar
a sua Paz


Rio, fevereiro de 2011



STRANGE THOUGHT








cansado de pensar
sorrio
e te vejo ausente
distante
procurando meu olhar
sabendo o que sinto
e tudo o que posso pensar

aqui estou
nunca indiferente
presente

não temas
tens o que digo

strange thought
I never think
it happens
is it love?

Rio, fevereiro de 2011




VENTOS






o segredo dos ventos é que sopram
e nos mantêm cativos

porque visíveis
superam a imaginação
que as aves
navegam no pleno do sol

sopram para onde querem
não sem razão
sopram
e por aí os percebemos

de que vale o poema sem o vento?


Rio, manhã de verão, da janela de minha casa, fevereiro de 2011



UMA AUSÊNCIA





hesito entre palavras
difíceis
fáceis
nada reflete o real

à distância no horizonte
navega uma chalupa
e o vento passa indiferente

o mistério perpassa o pensamento
em busca da idéia
de uma outra casa
na outra margem

também sou mortal
e me confronto
com a suposição do infinito
onde me leva o vento

na barulhenta memória
sinto o presente
mas é o passado que me escolhe

em meio a tudo
submeto-me
ao silêncio atordoante
da tua ausência


Rio, fevereiro de 2011




sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

AMIGO






...um amigo é às vezes pedra
a quem abro a mão
e sou cativo


Rio, fevereiro de 2011







sábado, 12 de fevereiro de 2011

DOR







quem sente sou eu
a pedra não fere
é sentimento que dói...


Rio, fevereiro de 2011






segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

SONHO








quando nasci não acreditei na vida
chorei
ah! sim vivi depois tão longamente
que não pude logo supor
o sentir tão docemente
das noites sucedendo dias
meses anos
e o tempo de alma não tão pequena
a dar-me asas ao sonho
que ainda vivo

Rio, fevereiro de 2011