domingo, 17 de abril de 2011

TEMPOS







pudera ser eu mais que humano
como se vivesse além do tempo
o desejo de todos os abraços

que mais senão o brilho da estrela
da alvorada já tão distante
como o olhar que nem mais tenho

a juventude não fosse tão estreita
estenderia meus gestos além do tempo
e hoje não me veria no amor engano

oh tempo oh costumes
que mais dissera eu para prová-los falsos
senão fechar este poema sêco

Rio, abril de 2011.







sábado, 16 de abril de 2011

CRISTAL







o poema revela a intimidade
de espelhos de cristal
em luzes divergentes
concentradas
aparentes

nua cada frase expõe a claridade
sem a evidência
que ao leitor pertence

diamante facetado entre flores
brilhos e cores
da luz que oblíqua dança
o amor que esconde

assim sou eu da minha infância
talvez na poeira reincidente
de tempos azuis de um pálido intenso

danço o mesmo amor
em outros tons
nos reflexos do tempo que se foi

cristal indecifrável no invisível que aparece
vívido sobre areia em pó
da ruptura
em meu último momento

estou ainda
no fim serei o que restou
da vida generosa
deixo o que sinto
para outros
que me acompanham
os que amei ou a quem amo
na riqueza [di]lapidada
desta minha vida já sem tempo

Rio, abril de 2011.





sexta-feira, 15 de abril de 2011

MEUS MUNDOS





"ser ou não ser"
[será a questão?]


sou cidadão dos mundos que criei
tantos que nem as contas fiz
dos sentimentos que guardei
em todos os pecados que cometi
nem sei
se as paixões foram reais
nos sonhos loucos que sonhei
as memórias do passado
hoje abstração
do que suponho que vivi
tão irreais
no exercício extenuante
de repassar os tempos bons
para ignorar os maus
e sobreviver
fútil pensar na tangente do real
para escapar no espaço sem fim
da fantasia
no desconsolo final
passagem do que sou para o não ser


Rio, abril de 2011





segunda-feira, 11 de abril de 2011

CANTO






escrevo para afastar a sombra
buscando o sol que me aquece a alma
uma palavra a completar a frase
do verso solto que me acaba em sono

quase nada me impede de viver a vida
nem mesmo a indesejada que a suprimirá
nem a palavra desencontrada
nem desamor
nem nada

ouço falarem de fazer poesia
escolha entre palavra e som
consoante em busca de vogais
música que minha alma entôa
no escuro procurando luz

deixe-me que fale de meu silêncio
sobre o que está ausente
na luta diária de me fazer presente
alguma coisa canto
e em teus olhos um sorriso basta
para a alegria de fazer-me o encanto

Rio, abril de 2011




sábado, 9 de abril de 2011

I'M YOURS






aqui tudo é sonho
e és ave sombreando o sol
em pleno vôo desvendando a lua
livre como te quero
em tua busca do futuro

estou feliz enquanto brilha o sol
sobre meus olhos
testemunhas cristalinas
prometendo vida

não estás só
sopra solidário o vento benfazejo
que transforma em luz a escuridão
do início de teus tempos

tens quem zele pelo teu sorriso
translúcido como o primeiro orvalho
tens contigo a pedra
e teu amigo


Rio, abril de 2011.




sexta-feira, 8 de abril de 2011

SONHO





às noites soa o vento
sibilantes sinais de solidão
e o escuro inocente da saudade
esconde-se sob a pedra
do sono sombra em ondas
do eterno marulhar
em que me vens e te vais

Rio, abril de 2011.





quarta-feira, 6 de abril de 2011

TEU SONHO







atrás do sonho
tão alheio
busco a fantasia de um verso
atrás do sonho
tão atento
creio em ti não em teu reverso

atrás do sonho vivo
beijos e lágrimas
mas não tenho medo
de fazer do sonho realidade

falarei de ti e serei água
na limpidez do rio que acelera

não sei como vieste
sei como chegaste
no abandono de teus dias
tão jovem tão sozinho
perdido no início do caminho

quis falar contigo
dizer que podias contar comigo
no teu sonho quase impossível:

eu estaria atrás do sonho
em busca da verdade
e da nova realidade

sonhos são feito fantasia
tal como o verso
olha as águas do Rio em que navegas
destinam-se ao mar
nota como os barcos seguem seu caminho
lembra a tua infância
e tanta coisa entre o tempo que deixastes
e o futuro com que sonhas

navega sem receio
tua fantasia aportará na realidade
se manejas a verdade
não te ofendas com o passado
já ficou

nada te ofende nada nos separa
a vida te afaga
se navegas em busca de teus sonhos

nessas águas está minh'alma
sinto-a na corrente de teu barco
- como crescestes! -
sigo teus olhos pousados no futuro
atrás do sonho

Rio, abril de 2011