quinta-feira, 21 de setembro de 2017

ERA SÓ ISSO?



Tanto!
era só isso?

viver parece tão pouco
nem bem pressinto amanhã
e ontem sinto tão próximo

meus vinte anos presentes
lembram dias felizes
por eles recuso partir

recusarei sistematicamente tentações
para esperar o que virá
num futuro que não me seja dado viver

não supus ainda amar
descobrir presenças
ressuscitar prazeres
renovar percepções

Ana Luiza Alice Pepe
e Lucas são personalidades
independentes
o futuro lhes pertence

por eles insisto e fico
mas sei que passo
enquanto resisto

viver é muito bom
mas ao chegar a hoje
vejo
que não era muito

mas tanto
que hoje sinto
foi só isso?

Rio, setembro de 2011/setembro de 2014

domingo, 17 de setembro de 2017

A DESCONHECIDA



Se eu soubesse
quem sou seria um passo
sutil e passageiro
a primeira vez que festejaria
momentaneamente a vida
e sairia para um abraço

não quero muito
apenas conhecer-me
para dizer de mim para mim mesmo
quem fui quem sou
na canção cansada que ora canto
de esperar e esperar
sem saber a hora
de quem vem por que vem
indesejada
dizer presente

às vezes sinto como se passasse
num sopro leve e sereno
e eu o aspirasse
indolor e puro
como as águas límpidas de um rio que já correu seu curso

sei que virá e a espero
para sempre recordar
o sonho que foi a vida
que vivi toda sem querer
inesperadamente
não deixarei de ir

Rio de Janeiro, setembro de 2017.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

O DESCONHECIDO




(revisão de setembro de 2017)


não quero o desconhecido
mas o horizonte definido
precisão

é difícil sobreviver com a perspectiva invertida
a impedir a construção

ao revés
são tranquilas as horas
da antevisão
do previsto e do ideal
em que se pode errar sem hesitar

são a pinturas visíveis da construção
que incitam a criação
e dão ao traço a leveza da intenção

imitamos deuses
em cores definidas
reta e curva da imaginação

não ao desconhecido
(se é que posso querer)
não

temo não saber viver



Rio, setembro de 2013.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

MELANCOLIA



deve ser saudade o que sinto
e que não sei descrever
mas é tão forte que minto
para não reconhecer

o tempo me roubou a vida
que pareceu outrora tão longa 
e hoje sinto passado
tão próximo tudo o que vi

esta canção vem por caminhos
tantos que percorri
pessoas coisas e fatos
que são parte mas já não aqui

[águas moveram moinhos
vento moendo o tempo
momentos em que sonhei amei e cantei]

não toco mais essa água
nem ouço o som dessa roda
tudo ficou em mim
talvez como sentimento que é mágoa
de não os trazer

deve ser saudade o que sinto...        

Rio de Janeiro, setembro de 2017.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

FLUIR



nessa longa estrada flui
o fim do dia 
na rotação completa
para o amanhecer otimista
de esperar o sol

flui na direção do nada se não crês

mais vale não querer o fim
do dia da noite ou do mundo 
sem saber
quão distante está

mas eu prefiro começar cantando
a noite a manhã ou o poema
e dizer do recomeço
que sinto a cada instante
que aspiro o ar e nada dói

Rio de Janeiro, setembro de 2017.






segunda-feira, 28 de agosto de 2017

INVERNO



o sol que brilha no inverno
sobre este mar encantado
expõe minha inútil solidão

ninguém
mas ninguém 
tivesse o amor desta praia
sentir-se-ia só talvez
como me sinto

sob o horizonte estendo meu olhar
e vejo o céu
que azul é céu 
azul como este céu
que me acompanha inda irreal

beleza de um olhar
só 
sem procurar
debruçado sobre a extensão da areia branca
reluzente prata sob o sol
sem querer achar
neste frio muito além de seu tempo
outra companhia

Rio de Janeiro, agosto de 2017. 


PALAVRA BUSCADA




onde quer que a procure não encontro 
a palavra que se esconde
que trapaceia
e  desaparece para não se expor

o que desejo revela-se apenas em mim
no imaginário
que não se concretiza

a quem é permitido sonhar
e sabendo o que sonha
não tem palavras
para se expressar (?)

quanta palavra não achada
quanta perdida palavra
nessa vacuidade
para onde vão (?)

essa perplexidade me agride

Rio de janeiro, agosto de 2017