quinta-feira, 6 de agosto de 2020

NÓS

nós no meio de nós
enrolados iludidos esgotados

o fracasso afinal
o meio ambiente a floresta o presidente

pandemia ou gripezinha

quem assumirá para a história
opressora simplificadora enganadora

que fazer com a economia
liberal marxista globalista em terra plana

era mais fácil 
o mundo era redondo
a praia o mar e a vela branca

nem sei que horas são
domingo ou terça-feira
mas não
parece noite ou será dia

qual a vantagem de torcer pelo avesso
o igual diferente no presente

tinha gente na esquina
chaveiro baleiro jornaleiro
coisa simples
hoje é cloroquina

desconcerto ignorante sem mistério

vago temor
mas se hesitar tem o terror
horror e o desamor
propina e cloroquina

redondo e azul
a praia o mar e a vela branca
o sol por testemunha
e a esperança

não parto p´ra Pasárgada 
sou daqui 
o sentimento lá é estrangeiro
longe o mundo não é vida

nesta terra verde  
está tudo por fazer
ou refazer 
a razão o amor a liberdade
paz e mar

a  ideia insiste
o sonho existe 
ninguém vive em meu lugar

Rio da pandemia, agosto de 2020



 




sexta-feira, 31 de julho de 2020

VIVER




na solidáo de hoje
a consciência da vida
afinal
nosso único bem

anos de sonhos
tempo inútil vencido
mas morto o passado
estou vivo

das promessas de antes
sobrevive a esperança
de ainda haver tempo
à frente

e viver

Rio da pandemia, julho de 2020

quinta-feira, 30 de julho de 2020

DE REPENTE



um mundo inteiro
o planeta 
mar 
montanha

sol e 
lua
estrelas em negros céus

dia e noite

aurora
lusco-fusco do entardecer
mar e céu 

incandescentes

o cavalo quase humano
o cão enrodilhado
o homem a mulher a criança

a vida concedida

diária instantânea


eterna 

quisera ser mais que eu

sentimentos alheios
o poder da permanência

saudade olhando p´ra trás

para o lado por vez
futuro indagação

tudo é atenção

menos a morte
indesejada 

de repente


Rio da pandemia, julho sw 2020.


segunda-feira, 27 de julho de 2020

ESPERAR




esperar
esperar
esperar

isso é existir
esse é o mistério
existir para ser

tremo de todo segredo
ser o que
ser para existir

essa é nossa sina
esse é o destino

esperar o desconhecido
e manter interesse no presente

nem com esforço retorno
ao passado
nem com imaginação desvendo
o futuro

vivo o presente
e me reconforto por estar sendo

Rio da pandemia, julho de 2020

domingo, 26 de julho de 2020

ESPERA



onde estou abro os olhos entre ruínas 
ouco o eco das sombras
uma quietação
seres vivos ao longe
sem esforço
acordo 

que existência resta 
medo e a pergunta
o que sou e nada ser

porque tais fantasmas 
intocáveis anjos
que busco na cumplicidade
de saber o mistério
que para mim é estar vivendo
e ainda ser
este momento

entre mim e a vida há este sopro
da espera

rio da pandemia
julho de 2020


sexta-feira, 24 de julho de 2020

PANDEMIA




Algum dia
Será outro dia
E haverá nova vida
E porque será todavia
Se não esquecer o destino
Ou o fado desconhecer
Poderemos viver
Sem qualquer desatino

Quando os deuses abrirem as portas
Na sequência dos fatos
Quando chegar a hora
Não sei se me engano
Se sonho ou se penso
Lembro que pessoas cruzam caminhos

Quando
Se
Quando os deuses
Se os deuses
Nos devolverem as almas

Comerei alcachofras
E talvez
 Talvez a gente se encontre

Rio, julho de 2020

DEPIDEMIA



pobres dias depidemia

preso-gente-só

hoje-um dia
o mesmo ontem
amanhã
que será
depois de amanhã

não não é por razão
chegou

que sensação
não serve de nada
importar-se com a humanidade
parada

lembro de tudo
de tudo esqueço

não consigo ser humano
ser humano morre 
resta a nostalgia
de não ser
talvez matar-não morrer

pensar não pensar
o pecado de confessar
sentimento de mundo
deserto profundo

cheiro do mar
cheiro-de-vida

porque não me queixo
porque foi comigo
esse
viver para não morrer

vil viver  
vileza de sobreviver

Rio, julho de 2020