segunda-feira, 24 de setembro de 2012

DÚVIDA EXISTENCIAL


é remota a memória
abstrata das razões
onde não há fato mas história
sem diálogo remotas ilusões

tudo é incerto 
nem a lembrança 
nem textos para interpretação
precisam fogos fátuos

e querer lembrar maltrata
porque o tempo passa
e nada se conclui

a distância os encantos mata
os sonhos ultrapassa
assim não sou nem sei mesmo se fui  


Rio, setembro de 2012.






quarta-feira, 19 de setembro de 2012

ENCONTRO DE UMA VELHA GUARDA


lembrança de amigos a propósito de um encontro  
em outubro

encontro de amigos
homens que foram meninos
a lembrar tudo que foi
tudo que deixou de ser
e ainda dói
assim como um renascer
às vésperas de anoitecer


Rio, setembro de 2012.



sexta-feira, 14 de setembro de 2012

QUADRINHAS MUITO MINHAS


I
tudo que tenho é a vida
não ma roubes 
não a manches
que já a tenho contida

II
se de fato teu sorriso
enfeita teus lábios delícia
leva-me longe o juízo
a pensar do beijo a carícia

III
ah teus olhos furtivos
verdes castanhos tão vivos
marcaram meus anos cativo
do brilho de teu fogo votivo

IV
quadrinhas tão portuguesas
vão falando devagar
do meu amor com certeza
com certeza de te amar

V
a pedra o trigo e o mel
é certo que lá estão
somados fazem um anel
a ligar-me o coração 



Rio, uma noite de setembro de 2012.




segunda-feira, 27 de agosto de 2012

ÂNGULO DE VISÃO


tudo que pensei ou fiz recai na vala comum
da desmemória
daqui onde estou vejo o horizonte próximo
e ninguém para contar a história

sou eu só
mas nada almejo além
do que vejo

Rio, agosto de 2012.



quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O NADA



...diante do nada

temo o embate desigual entre o que é
e o que nunca foi...


Rio, agosto de 2012.



sábado, 18 de agosto de 2012

SEMEIA SEMEADOR SEMEIA


deixa cair a semente na faina de semear
um dia tu verás o fruto que lhe dará outra semente
para a faina de semear
ciclo insondável do retorno eterno
dos anos de minha vida
aos anos de minha vida
e de outras vidas que me sucederão

não não me neguem o mistério que há nisso
mas não me tragam um deus qualquer
para explicar essa trilha circular

sol ante sol e a lua de permeio
a antever o dia entre noites
de que meu sonho é memória
e o sono o retorno à nua paz
eterna um dia sem mais nada a semear

Rio, agosto de 2012.


CAMINHOS




ah sei bem que não consigo ter tudo que amo
que a estrada se divide
em passos de diversa direção


assustou-me sempre a monotonia linear 
sem sobressaltos e paixões
sem o livre gozo da vida
no caminhar de passos iguais


optar ao fim da caminhada
é agora pesadelo a interpor-se
entre sonhos prenunciados
no cruzamento de amores todos
de insuspeitada emoção

que as trilhas sempre se dividem
e a alma sofrida experimentada pronta 
hesita entre caminhos 

sente ainda aguda a dor da opção  


Rio, agosto de 2012.