sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

REFLEXOS


1.
lá pelo fundo da memória
escavei a lembrança de um tempo
2. 
a luz que ilumina esse tempo
sucumbe sob o vento
3. 
se o inverno não supõe a primavera
resta pouco à espera
4.
um corpo nu despidas as vergonhas
é tudo que o desejo ainda sonha
5. 
entretanto

saber que a folhagem ainda verde
acaricia a sombra fria
outro tempo pressinto que anuncia


Rio, dezembro de 2012





TERCETOS SOB O SOL


I
sol quente em areia branca
mar azul
verão
II
barracas em mil cores
sol dourado
corpos nus
III
Rio fervente
ondas derramam enseadas 
verde nas encostas
IV
corpos malhados
douram sexo
sensualmente molhados
V
nuvens de verão
poente vermelho
incendeia o céu

declaração em data incerta

Rio de mil amores 
dezembro de 2012
te amo







quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

ANO NOVO



falam de um ano que virá
tangido pelos astros
para o reinício da vida
escuto isso curioso e atento
como já esperei outros anos

para mim o sol inaugura o dia toda manhã
e brilha escutando o que diz a gente
seu brilho me fascina
é fogo de uma nova idade
no mistério do equilíbrio entre astros
em sensível eternidade

ouço a gente falar de um novo ano
mas o ano começa no nascente
a cada dia como a vida
e o ano não é mais que um novo dia 


Rio, dezembro de 2012





segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

VIVER






entre netos encantado com as netas

a mesma forma de viver 
enfeitiçado pela vida
faiscando o coração

ano vai ano vem

a alegria existe
e pode ser triste também

nada é em vão


Rio, Natal de 2012. 



terça-feira, 18 de dezembro de 2012

CICLO



pouco falta para o anoitecer
sopra o vento sudoeste
vermelha a tarde
longo o dia
que com rapidez se distancia

o homem pelas ruas 
caminha contra o tempo
no rito da iniciação
de um breve despertar em novo dia
esperando o novo sol
para saudar mais tarde o tardio entardecer
de um verão


Rio, dezembro de 2012.













segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

DESCONSTRUÇÃO



ah rio que me leva a vida
e deságua sem memória
no oceano de recordações perdidas
sigo-te sem me perguntar da fonte
sigo teu modo de ser água
onde toda lembrança se desfaz

sei que passas desfazendo gotas
na inútil sede de meus olhos
que se recusam a ver por não saber
donde vens
para onde vais
e curiosos sonham sonhos que se sonham
na memória de não lembrar

segue teu curso deixo-me estar
no lugar de não pensar
no que serás adiante
onde difusamente sei que estarás

Rio de Janeiro, dezembro de 2012.




 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

DESEJO



dizem que estou triste
em pleno verão

não não 


sonho com outra forma de viver

talvez incorpóreo pra ser feliz

dispo-me

esqueço as honrarias
tanto por crer quanto descrer

mas não sou triste


não vejo a diferença

dos que pretendem a alegria
como forma de viver por outro caminho

ainda sonho


visto-me
em busca do verbo
para louvar o verão
em pleno inverno
ardendo de paixão

a palavra é memória de meu esquecimento

nunca está
para dizer as coisas que se dizem

ah palavra indigente

do verso sem sentido
no poema inobtido

desisto quando penso no sonho que não sonho

ao recordar-me de ti
não sou triste

são teus lábios que quero


Rio de Janeiro, dezembro de 2012.