"Porém, pera cantar de vosso gesto a composição alta e milagrosa, aqui falta saber, engenho e arte." Luís de Camões ... assim encontrareis aqui palavras magoadas a tornar o fogo frio e dar descanso a minha alma condenada ...
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
PORTA
a porta se abre de um lado
mas passa dos dois
quando se fecha
desastre
não passa ninguém
de lado nenhum
Rio, janeiro de 2014.
domingo, 12 de janeiro de 2014
TEMOR
assim que passas
tempo
o que foi é como pedra
e o tédio de não mover
só o vento canta a morte dos fatos
lambe e distorce
desompasso
até deixar de ser
assim que ventas
vento
tão sem discurso
nem medes o tempo
nem o relatas
qualquer dos teus caminhos
é descaminho
temo o tempo
tanto quanto o vento
Rio, janeiro de 2014.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
REFLEXÃO LONGA DEMAIS
tempo que ventas sem trégua
demorar é contraste
do breve à ventania
sem jamais nos pertencer
Rio, 1 de janeiro de 2014
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
VAZIO
fujo de mim deserto como casa vazia
aberta escancarada
no claro dia entre oriente e ocidente
tristeza em meio à alegria
dia-a-dia
enxugo os olhos do pranto mal amado
nada vejo mas a curva do horizonte
e sua lacerante simetria
Rio, dezembro de 2013
sábado, 30 de novembro de 2013
QUIMERA
ah o amor
quimera que não se apaga
indelével crime de quem vive
o amor nos esgana
sufoca a verdade
é navegante em recorrente desengano
ah amor
sonho que desvela o paraíso
atual e incerto em seus desvãos
viver é a certeza desse amor
volúvel entre cinza e branco
ligeiro e descontente com a morte
Rio, novembro de 2013
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
FUTURO DO PASSADO
o sentimento que se aproxima no horizonte
é futuro na percepção do passado
não a eternidade plácida do céu azul
mas o desfile imaterial de fatos idos
pessoas coisas lugares montanhas e o mar
o que já fui o que fiz a quem amei
mescla de sonho e pesadelo o cenário é difuso
mostra o tempo curto no que resta
ínfimo no que foi
como um rio que busca o mar navego sem temer
e como as águas banho pedras testemunhas do antigo
detenho-me diante de impurezas
contorno diques
sobreviventes de lutas superadas
folhagens e florações de outras plagas
e a melodia doce e vaga do sussurrar do rio
aquietam a inquietude do confronto ao largo
com o mar imenso impessoal e frio
o mesmo mar o mesmo rio o mesmo sonho
e o pesadelo são o viver estranho
do que real relembra a vida
Rio, outubro de 2013.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
NOS TEUS ANOS
para a avó de meus netos
é tenra ainda a emoção
de ver-te criar no teu cuidado
a flor do tempo que se renova
no gosto doce de teus netos
na paisagem em cores dos anos idos
a floração em flores lindas
expõe a beleza das coisas findas
que ficarão
Rio, 2 de outubro de 2013.
Assinar:
Postagens (Atom)