terça-feira, 5 de agosto de 2014

PALAVRAS



palavras são tão poucas
a sete chaves erram
em sete montes
no eco transtornadas loucas
tão aparentes tão presentes
progresso por vezes retrocesso
pairam no ar sem viração
ou vento que sopre o coração
ausentes palavras dos deuses vozes
tão breves a vida não descrevem
tão densas tão áridas esfinges
quantas dormem finges
a mesma vida e o destino
para entender pouco
e gritar rouco
o humano desatino 

Rio, agosto de 2014.




quarta-feira, 30 de julho de 2014

EU COMIGO



fechado a sete chaves pensando de mim para comigo

vivo...

entre os que choram há cantos
entre os que cantam tristezas 
alegrias do poder sentir e amar 
o que os deuses deram
à minha estreita faixa de visão

são vozes que me chamam
mas é tão pouco...

anos que não pedi sobrevivem aos que desejei
a que foi mesclada a fantasia do que não vivi
e o coração que sobrepuja a razão escuta e sofre
da alegria de estar aqui

ainda...

esse é meu pátio de milagres
a que olho com olhos razos
feitos puros da beleza 
do que vejo

há vida... 

tão breve o tempo
tão não sentido
o que resta é quase hoje 
nada...

Rio, julho de 2014

sábado, 26 de julho de 2014

SEM MAIS




nunca maior nem menor 
o homem sobrevive mal a seus desatinos
competindo com os deuses
mata-se cumprindo seu destino

um após outro anos após anos
não lhe bastam os males corporais
insistem conscientes
em seus males morais

pouco importa o outro homem
mulheres ou crianças pouco importam também
na diversidade todos iguais 

a ressaca arde ao fogo do ódio
sobrepõe-se à Paz implorada
matam-se sem mais 

Rio, julho de 2014.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

TANTA VIDA (complemento)


[complemento de um poemeto de janeiro de 2010
 - "TANTA VIDA"]





...tanta vida fugindo de meus olhos
tantos olhos postos em mim
nem tantos olhos nem tanta vida
contam o que sei assim


Rio, julho de 2014.


domingo, 6 de julho de 2014

SAUDADE



o tempo circunstancia
o espaço distancia 
a saudade que é sombra da verdade que se fez

a realidade segue o real que a imaginação tangencia
no coração os deuses continuam presentes
na expiação do pecado
capital 
de não haver juntado espaço e tempo

sofre ao Sol perde a Lua
idólatra do passsado
a saudade só

é presente sem futuro
múltiplo de si mesmo


Rio, 06 de julho de 2014



terça-feira, 10 de junho de 2014

SER


não é difícil entender laços
afetos em plena liberdade
mais difícil é compreender o tempo
ou o sonho um a cada vez

viver não é segredo quando se passa à ação
e se permitem os laços entre sonhos e ambições
e tudo mais que os humanos anseiam
no jogo de jogar a própria vida

é sempre tempo de começar
sem o constrangimento das situações
de pedras que se alevantam no caminho

basta a liberdade de ser e o direito de sonhar
basta o entendimento de que somos mortais
basta fazer do tempo uma incógnita a favor

viver não é segredo quando se tem a coragem de ser


Rio, junho de 2014




segunda-feira, 21 de abril de 2014

O AMOR


a consciência do amor é lúcida
encobre defeitos cria novos seres
nada deseja e a tudo anseia
tudo o mais é resto
escolho do que lúcido se importa

hesitante espera mas não cede
entrega-se ao amor
e dele vive
é eterno porque dura
e duradouro guarda em si o universo
do amor sem conta 

Rio, 21 de abril de 2014