quinta-feira, 16 de julho de 2020

DEMIA PAN





como eu ia dizendo
quinta feira
ou segunda

de maio talvez agosto
perdido no mar
volta
a velha angústia

doído

desperto durmo
acordo 
pandemia

lúcido
do passado
sem presente
qualquer futuro

ah esse coração
incerteza inútil de não querer dormir
tudo vale qualquer coisa

luar em noite escura
lembra a liberdade

só dói

liberdade
liberdade
liberdade

pesar de pensar
no que não é
nem será

cansaço desde o princípio
sensibilidade 
inutilidade
de esperar
nem sei
nada sei
só dói

Rio de Janeiro, julho de 2020.

sábado, 11 de julho de 2020

VIRUS




um blogger
internet 

novo? 
pra que novo?

no velho escrevia
hoje não

depois que escrevo
leio
de onde tirei isso?

aos 79 não sei quem sou
nem o que fiz
sei que passou

um virus veio e me aprisionou
mas não me prendeu
ainda

não sei de nada
nem da vida nem do virus
nem de nada

sei que estou dentro de mim
e o meu passado estacionou
estou livre 

o futuro nem aconteceu
nada aconteceu
nada

há um instinto
e sono

recluso
um virus
mexcluo

hoje não
não sei nada
sei de um virus

um virus
um virus
um virus
mais nada


Rio de Janeiro, julho de 2020

domingo, 10 de maio de 2020

MÃE SEMPRE MÃE




um dia a vida nova virá

(devagar será entender
devagar porque não sei se estarei)

seremos neste mundo ainda
surpresos pelo resultado
do que nos dará
o que sonhado éramos nós
terceirizados
virtuais
imunizados
e distantes

devagar em divagar
que a proveta

não se afirmará
mas a mãe
como antigamente
soberana sorrirá
no ato de parir

o filho desejado

e felizes
viveremos
um novo dia das mães

Rio, 10 de maio de 2020.


segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

BEIJO DE ANIVERSÁRIO




para Cecília, como um beijo


o sonho é o sono com ilusões
assim a vida que ligeira como vento 
passa

neste final que apenas começo
aprendi a rever as ilusões
e sonhar sem sono

penso menos no silêncio que vem do futuro
para ilustrar o presente que é passado
abstrato que feliz vivemos

nada dura nem o eco que se repete
assim o presente ficção da realidade
passa assim que o invocamos

de nada me serve pensar
melhor será celebrar
hoje quando faz anos

não me interprete
não penso em nada
mas vivo feliz com o que me resta

como diz o poeta
"o fim é ao menos o já não haver que esperar"


Rio, 27 de janeiro de 2020







segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

FALSO DILEMA



à direita à esquerda 
vejo as brumas do passado
repetição e drama

sinto o tempo
permanência em mim
e sei que dezenove não difere de vinte
mas aproxima o fim

ser e viver o mundo são meu verso
em meio à desigualdade e medo
diante daquele que diverge
do natural  

amar é modo de sobreviver  
em terra ou na imensidão do mar
aos setenta e nove
renascido 
celebro ainda a liberdade

olhando para a frente
nasce outra criança
chora mas aprende a sorrir
para a novidade do mundo
livre

escrevo estes versos para superar o trauma
ao longe o mar é mais azul
e o horizonte deseja o sol

Rio de Janeiro, 30 de dezembro de 2019.



segunda-feira, 19 de agosto de 2019

AMAZÔNIA


Uma reflexão necessária:
19 de agosto de 2019

Sobre a Amazônia brasileira o problema que se está criando é menos o maior desmatamento recente e muito mais a desinteligência do que esse mundo verde representa como símbolo de brasilidade e fonte de produção na biodiversidade que agasalha. 
A Amazônia brasileira é nossa, mas parece que não se sabe de sua potencial influência sobre o clima no Brasil e no mundo. Nem é o aquecimento global, que se pode discutir, mas sem a Amazônia o sudeste e o o sul do Brasil receberiam menos chuva e se tornariam áridos; o solo amazônico é raso e, depois do desmatamento, suportará pouco tempo e se tornará ou uma savana inóspita ou um areal sem qualquer possibilidade de recuperação; seus rios secarão ou se tornarão fios d'água...
Para o mundo, a Amazônia e as últimas florestas na África e na Ásia têm sim importância climática e provavelmente serão responsáveis, no desmatamento, por um aumento da temperatura global, uma mudança no regime de ventos e uma elevação consequente do nível dos mares... para dizer pouco.
O Planeta terra não suportará a sobrecarga que essas mazelas representam e com ele sucumbirá a raça humana.
Há-que considerar consequências imediatas de um excessivo nacional-populismo (em forma mais branda, um tal sentimento nacional, mas dispensando o populismo, é desejável) que destrua instituições duramente construídas nos últimos tempos (dos quais participei) e desconsidere dados produzidos por modernas instituições científicas.Há que considerar preocupações humanitário-culturais incluídas nos cuidados com indígenas e escravos-negros históricos em pequenas aglomerações quase simbólicas.
Há que considerar nossa imagem no mundo, que condiciona interesses comerciais, empresariais e de investimento tão necessários.
A política amazônica deve ser nacional e da Amazônia sempre cuidaremos nós, mas sem agressões ou retaliação contra países tradicionalmente amigos, com os quais temos interesses compartilhados. Não há porque tratar mal o mundo, que é também o nosso mundo.