terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

EM PENSAMENTO, DRUMMOND.

 


penso na vida e nas multiplas formas de sentir...
o amor é a procura
não mentir
coisa louca

há outra coisa a fazer?
não a encontro mas
te amo e a teu corpo

o amar e o amor é a vida morder
não estranhes o poeta não condenes seu desejo
que escreva que se declare
e se deixe viver
sem pejo.

Rio de Janeiro, 13 de fevereiro de 2023

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

DESMEMÓRIA

 


a escuridão do círculo fechado

de quem nada se lembra

mas talvez sinta na emoção

um amor que é tristeza

na alma toda

do vazio da cabeça ao coração


temo o vazio dos olhos que vêem

e não refletem um passado

angústia de vida

névoa sem lágrimas

num dia chuvoso sem chuva


ouço o lamento dos que me amam

ou não me amam e lamentam

a náusea da ausência de sentimento

 ao arrepio da lei da gravidade

que impede triste o sentir

e esvaziam o vital de pensar


que a idade nos traga o sono

contudo não nos obrigue sem vontade expressa

a viver na penumbra do afeto

eclipse do sentimento no esquecimento

e da memória em dia de pleno sol


Rio de Janeiro, 05 de fevereiro de 2024

 

domingo, 4 de fevereiro de 2024

DEMÊNCIA

 


nada sei do que esqueci
mesmo antes de pensar em saber
e perder tudo no tempo
temi
outra vez acontece uma extrema incerteza
mágoa de perder a beleza
do saber
da vida na plenitude
próximo de não ser
não sei
nada sei
sobretudo pensei
no acaso de sobreviver
à própria compreensão
virada ao avesso
círculo que se fecha
noite absoluta
perco mesmo a angústia
nessa perda resoluta
do que fui e do que ainda penso que sou
para não ser mais
sem mesmo fisicamente morrer
Rio de Janeiro, 04 de fevereiro de 2024

domingo, 28 de janeiro de 2024

UNIVERSO

 


nada a diser sobre o Universo

que não cabe nos meus versos

falo da Terra

migalha entre migalhas

pó onde poucos sabem

mas estamos sós


Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2022

SONHO

 


meu papel

é viver para nada 

ou partir para o esquecimento


o segredo escancarado da vida

é nada durar 

não durar ou durar talvez

para morrer


o sonho dirão

o sonho 

é viver com o que se possa sonhar

com pressa


a ideia do sonho é mera presunção


sonho com o sonho

no esquecimento

nem me recordo dele

na lembrança

nem mesmo me recordo na lembrança

nem mesmo na lembrança

da desesperança


Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 2024

ESTRANHEZA

it is so strange 


eu penso no tempo
estranho passar enquanto se deixa ficar
mas o mesmo tempo desafia
e nos pergunta
por quê
não há de ser
ou será
o não-ser vem a calhar
quando não se pode desfrutar
do sentido de sentir
talvez esse seja o sentido
e carnal fosse amar o instante
e gozar
talvez fosse esse o sentido
com alguma razão ou sem razão
temos vidas
nossas vidas
outras vidas
ou nenhuma talvez
e morremos
para outra vida
mas há ou não há
aah
não sei nem saberei
ou saberei sem saber
fico só
comigo só
porque assim tão sozinho
posso pensar
e me angustiar
não
não é sonho
escrevo
as letras hão de ficar
assim
assim pode ser
no manicômio talvez
lúcido
sem pensar
Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2024

sábado, 13 de janeiro de 2024

INDAGAÇÃO

 

o mistério do dia seguinte
indaga-nos cada dia
quando o sol se põe
e a cerimônia é triste
a noite embruma-nos completamente
dormir é sentir o que há de morte em todo sono
sem a energia de cada sol
instala-se um sentimento vazio
profundo silêncio
e todo silêncio é triste
hesitante
a luz das madrugadas prenuncia o sol
para trazer-me um dia mais
um outro dia e quem sabe a esperança
que se resume em um poema triste
de que sou a sensação
forma e repetição.

Rio de Janeiro, 13 de janeiro de 2024.