segunda-feira, 12 de maio de 2008

DESESPERANÇA



Sonhei que me recolhia para colher pensamentos
de um momento de desesperança
entre a contradição e o absurdo
de um dia de alegria.

Era noite de melancolia.

Sonhei que um murmúrio ligeiro amanhecia
como regato em busca de silêncio

na realidade louca.

Que importa se o ruído estilhaça o silêncio
e tudo apaga a consciência?

Sonhei que sonhava a desesperança como vil ausência
na noite em que me recolhi
para conhecer pensamentos.

Não sei se o que sonhei nem se o esforço
de recordar me apoia
ao escrever o que neste papel é dúvida
uma inquietação indefinida
que esse ruído de existir me cria.


Roma, 2 de abril de 2005.

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