sábado, 1 de janeiro de 2011

CERTEZA INÚTIL






nem maior nem menor diz o poeta
que os novos deuses
ora
que mal ou bem eu fiz à vida
para que deixe de saber
o que é ou o que foi o eterno?

esquecido no tempo me consumo
nos reflexos do mundo
e sobrevivo ao brilho fátuo
do passado que no presente já não vivo

um novo ano um novo tempo
ou calendário?
escorre a chuva
não alaga mas me lava
de qualquer senso
e assim passo

nem pior nem melhor colho o segundo
e comemoro o nada que me mata
e livra-me de mim
em palavras onde idéias não me faltam
à espera desse inevitável fim

ah! que venhas!
pronto não estou nem estarei
na alegria consciente de amar
o que me tiras

por isso não tenho queixa
inteiro neste quase eterno culto
de amar o amor de cada dia
e nem pressinto erro na certeza
de que a vida ainda não me deixa

aqui estou à beira de meus versos
levanto os olhos e vejo lá em cima
quem me aplaude a insistência de ficar

Rio, 01 de janeiro de 2011







2 comentários:

  1. Devir antes dos nomes23 de janeiro de 2011 19:52

    Sem dúvidas, contando com a sensibilidade poÉtica, ninguém vai
    vai julgar inutilidades como prescindíveis e ignorar:

    "ah! que venhas!pronto não estou nem estarei
    na alegria consciente de amar
    o que me tiras"h

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