"Porém, pera cantar de vosso gesto a composição alta e milagrosa, aqui falta saber, engenho e arte." Luís de Camões ... assim encontrareis aqui palavras magoadas a tornar o fogo frio e dar descanso a minha alma condenada ...
sábado, 14 de novembro de 2009
ILUSÃO
no caminho recusei desvios
fugi de vários destinos
vários fados disfarcei
entre mim e o tempo há um descompasso
ele passou adiante de mim
enganei-o não sou eu mais que estou
sou o outro que o enganou
o meu passado voltou
e no presente ficou
da ilusão e da esperança vivo
alimentando o desejo
de não deixar prevalecer o destino
Rio, novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
POEMETOS EM PEDAÇOS
I
a sua vela
e se encaminha rotineiramente
ao velho porto
II
a alma silenciosa
flutua sobranceira
e o abismo prenuncia
III
vagas ondas mansas vagam
e o mar suave se espraia
grisalho sobre a areia
IV
ao sol de verão
febril
a branca areia ferve
V
ecôa o sombrio o aviso de um navio
sua carga são lembranças vivas
que ansioso espero
SUGESTÕES OUTONAIS
I
a floração ainda não dera frutos
mas amei perdidamente
o perfume das flores
II
será o outono
a véspera do inverno
ou meu tempo de viver?
III
sob o vento hibernal
acarinho religiosamente
as folhas do outono
IV
em campo aberto
vivo a nostalgia de estar só
V
o mar diante de mim
ondula preguiçosamente seu vai-e-vem
Rio, novembro de 2009
O PÁSSARO FERIDO
sonhei e
entretanto não me lembro
o dia nem tão longínquo
em que tudo aconteceu
sinto ainda à distância o rumor dos passos
e uma canção
sopra em folhas mortas
a melodia da esperança
e porque essa canção?
por que são os passos jovens
do futuro que espero
em pleno outono
sonhei que sonhava e acreditei
no pássaro ferido
que me feriu
um breve sonho e acordei
em meio ao sonho
que ainda vivo.
Rio, novembro de 2009
MOTE DA MUDANÇA
tudo muda tudo se transforma
mote permanente da poesia
quanta alegria em tristeza forma
um jardim sem flores
secos de amores
inclemente sol nuvem fugidia
antes azul o céu prepara a noite
e o homem passa no que já sabia
seu destino rude sob vil açoite
não perdôa o tempo
a alegria vã
e promete o sono
e o silêncio frio
Rio de Janeiro, 13 de novembro de 2009 [sexta-feira]
domingo, 1 de novembro de 2009
MELODIA DE OUTONO
essa música que chamei poesia
tão suave no fim do dia
é o que me resta desse longo vôo
na distante verdade do passado
sou grato de haver sido poupado
de momentos de melancolia
deixo três ou quatro sílabas
alinhadas em palavras
colhidas como folhas caídas
nesse outono quase findo
entre o sonho e o sono
sobrevôo o sensível
do que ainda são folhas
apenas orvalhadas
há uma estranha alegria
em sabê-las úmidas
tomem-nas como ousadia
não as queria perder
são a minha poesia
Rio, novembro de 2009
domingo, 25 de outubro de 2009
MICKEY MOUSE
...do que vive o poema?
dos sonhos responderei
do sonho que há no sonho
do que não vejo
quintessência do que não sei
sonho tudo que sou
o que fui
o que não fui
sonho o que não posso esquecer
o poema como o sonho
inebria como jasmim
[hoje o sonho brilhou nos olhos de minha neta
três anos
sonhando seu mundo feliz]
Disney [Fl], outubro de 2009
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