terça-feira, 1 de junho de 2010

LE BATEAU IVRE




"Le Bateau Ivre" [Arthur Rimbaud]



sou marinheiro de um mesmo mar mas sem navio
navego águas de todas as doçuras
distâncias cores e lonjuras

nasci assim sujeito a espaço aberto
porque para mim o sonho é descoberto
ondeando à luz do sol bravio

canto a vida e o encanto de sereias
batido pelo vento atado ao mastro
obsecado da visão sobre as areias

a terra o mar o vento os astros
guiam-me o destino
no mar em que me perco em cego desatino

e isto é ser livre
só mirar céus de constelações distantes
e viver marinho o sonho de um instante

sou marinheiro o mar me chama
esse amor me inflama
na paixão de reler o "bateau ivre"

" (Ô que ma quille éclate! Ô que j'aille à la mer!"

Rio, maio de 2010




segunda-feira, 31 de maio de 2010

RICORDANZA





a meus antepassados italianos
[...e pur me giova la ricordanza e il noverar l'etate... - Leopardi]


amei a floração dos campos
onde a luz perenizava cores
e flores deixavam-se florir

amei o tempo e o céu aberto
entre montes encostas e montanhas
como templo aconchegante a descoberto

ainda hoje o amor perfuma a brisa fresca
e nada podem os anos
contra aqueles ares de suave claridade

estou sentado sobre a pedra dos primeiros tempos
a olhar a paisagem do lugar amado
de onde vieram todos e onde hoje estou

na encosta as oliveiras centenárias
povoam os flancos dos caminhos
retorcidos em sua seca indecisão

quem diz saudade quer dizer saudade
e pensa história
de uma gente que feliz demora

sou todos eles sou cada um e sou eu mesmo
e escrevo versos sobre a pedra
que polida somos nós a transpirar memória

Pedivigliano/Rio, maio de 2010




quinta-feira, 27 de maio de 2010

OLHOS





[impromptus]


penso nos olhos,
olhos de ver
olhos de procurar
olhos de amar
olhos de mergulhar na beleza que vem de fora
para encantar a hora

olhar assim é viagem
olhos sonolentos

olhos atentos
olhos sedentos
olham fundo ou de passagem
amam o mundo e a linguagem
no limiar do que vêem em olhos que se vão

olhos são como sonho
vivem a fantasia
dos que te lêem
são olhos de doce magia

olhos que sonham


Rio, maio de 2010




segunda-feira, 24 de maio de 2010

A DREAM








from darkness to clarity
clarity of perception
in my dreams
I came again to life
and we were together

gathering me you gathered
a flame
a bursting fire in me

I had fallen in love
from virtual birth to real death
and for life
I worshipped you

Rio, maio de 2010




PERCEPTION






oh! I know little
I know nothing
but you

remind me remind me please
how quick life vanishes
and let me love
and never forget

and yet give me peace
until I cease to be

oh! I know all ...

Rio, maio de 2010




sábado, 22 de maio de 2010

LOVED ONE







the one who enchains me
to this place
never asked why
I cannot love but one

both love and pleasure live
where I can tie a lace
joining you and me
alone

afraid of loosing you
Prometheus-like I came trough
the effort of being me
turned a man like no one

and you never asked why
I cannot love but one


Rio, maio de 2010





ONE AND ONLY







in my dreams you love and forgive
my faults my jealousy my temper bad
for my love is all that I can give
you know you are my one love
and only living dream
the sweetest I can live forever
as a living seam


Rio, maio de 2010 [relendo Frost e Lord Byron]