sábado, 22 de agosto de 2026

INTERROGAÇÃO

 


interrogação

há histórias que não conto

por ingenuidade pura

mas a vida há de contar

lembranças que o tempo não cura


assim será como a cantiga

que lembrará a mão amiga

agindo em hora diferente

do amor antigamente


partirei todos partiram

voando daqui para além

voarei também

para onde não sei o que dirá meu coração

para mim

a esperança é uma canção


Rio de Janeiro, 29 de setembro de 2026

DESESPERANÇA

 

vivo o tempo
sinto
o sol

de oeste a leste
sem tréguas
a repetir o tempo
e a mortalidade cega
em sua entrega

o mesmo sol
a mesma lua
propósitos em vida por certo
enquanto o vento passa sempre incerto

ao homem resta o
destino
no amor ou mesmo na dor
deixando-o viver como um sonhador


Rio de Janeiro, setembro de 2025

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

GUERRA

   

por uma terra arrasada

debulham lágrimas

homens e mulheres que se despem

da vida estraçalhada


a aceitar a morte fora do tempo

escorraçados da noite de explosões e sofrimento

em campo de batalha sem nenhum sossego

golpes de triste aceitação

nenhum apego

do corpo à alma o desapego

na noite densa de petardos

escuras esfumaçadas onde o Senhor

abandonou o mundo às escuras de uma noite eterna


há mistério no abandono do humano

do coração o terror 

a indiferença ao dia que não brilha 

e o silêncio repentino

 silêncio da fadiga 

em tamanho desespero


mãos já não alcançam mão

a iniquidade dos petardos despedaça

mesmo a despedida fria

do resto da esperança na matança


estamos todos aqui

impotentes diante da desídia

do desmazelo em vida

da civilidade destruída


homens mortos cidadãos envilecidos

no que fica da podridão e insensatez da guerra

 

Rio de Janeiro, 20 de agosto de 2026



domingo, 16 de agosto de 2026

A VIDA E O MAR

 


o mar 

em sua incessante lida

vai e volta

por vezes longe

parece vida


a praia branca

por vezes seca

é plana e quente

o mar é sempre despedida

enquando a vela branca navega decidida

talvez em busca do nada

do outro lado da vida


alto no céu 

o sol fica e brilha  

aquece e passa o tempo

enquanto o vento sopra a vela 

 no horizonte largo em pleno desalento

entretanto

distante e rubro o sol desce 

desfaz as artimanhas do dia

na emboscada do nada no oeste

e abandona a terra fria


fica a negritude plana

dissolve-se o dia

e nada resta 

senão o mistério e o sonho

abandonado

em busca d`estrelas

sem nem mesmo vê-las


Rio de Janeiro, 17 de agosto de 2026


                                                                                                                                             

 





quinta-feira, 13 de agosto de 2026

FUTURO PASSADO FUTURO

 

o tempo não faz a vida

salvo lhe dar a medida

da hora 

quase sempre 

a desoras


a consciência aflora no escuro

e não durmo

só penso

no sentimento de turno

do sofrimento futuro

e não durmo


o tempo no tempo passado era dado

por sinos da igreja matriz

era hora de rezar acordado

em sossego 

sossego não nego 

era Paz


Rio de Janeiro, 11 de agosto de 2026.

  







 

PALAVRAS

  


quando sei

falo

quando não sei

calo


todos sabem o que dizem

ou não sabem

que não sabem

e não dizem


que vantagem é a linguagem

de poder receber a mensagem

que a internet descarta


escrevo assim esses versos

para lhes ler o reverso

o que digo não escrevo

o que escrevo não digo

de verdade apenas converso

apenas o som da palavra

e pouco de minha lavra


Rio de Janeiro, 11 de agosto de 2026

terça-feira, 11 de agosto de 2026

TALVEZ TALVEZ

 

o vazio desta página

não é delírio

mas falta de inspiração

de não saber nada

e quase tudo esquecer


é proibido olhar consternado

os anos que tenho na vida

passaram

nada posso fazer


o importante é viver

o tempo a hora a verdade

os outros que aparecem ao acaso

sem procurar entender


assim o sol nasce o dia

o brilho o calor  

realidade

talvez viver sem razão


Rio de Janeiro, 11 de agosto de 2026


ACASO

 

não falo porque não posso
do acaso da vida
da amarga dor não sentida
no ocaso presumida

sossego nos versos de outrora
sossego não nego
só que em tempo vivido
lá fora

não se aborreçam com ela (a vida)
não no sem sorte dela (sentida)

tudo que é sonhado
tem matriz
mas o poeta é um louco
e vive do pouco um pouco

Rio de Janeiro, 11 de agosto de 2026

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

NADA

 


nada digo

porque não sei o que dizer

tudo passa

porque o tempo não me permite viver 


o que tenho levarei comigo

pouco neste poema

nada fora de hora


mas é real a hora

nem é memória 

deste tempo de vida

pouco muito pouco 

de verdade não é nada


Rio de Janeiro, 10 de agosto de 2026




FIM

   

nada aconteceu 

tudo passou

nem houve tempo de saber

cada fato

no entreato acabou


tão rápido

nem sobrou a palavra

para dizer o quê 


como dizer

a hora que passou


o tempo é agora

não o que perdi

nem o amanhã que ainda não há


é quase noite

o fim se vai

nada resta


Rio de Janeiro, 10 de agosto de 2026




terça-feira, 21 de julho de 2026

ELEIÇÕES

 

repito
temo
repito
minha indecisão
na certeza
de uma eleição
trata-se do deserto
de pensadores e idéias
da falta de homens de ação

da esperança

quem sabe alguma mudança
mesmo na contra-mão

Rio de Janeiro, 21 de julho de 2026


domingo, 19 de julho de 2026

DEJETO

 

não há começo nem fim
talvez a vida
e coisas todas
a serem vividas enfim
assim estou eu
os anos e um lugar
sem mais projeto
nem meio
dejeto
entretanto
é possível viver
enquanto o isolado planeta
é lugar de diversão
ainda
esperar a sobrevivência
entre loucura e desesperação
não é muito
mas o que resta
e violência
Rio de Janeiro, 19 de julho de 2026