por uma terra arrasada
debulham lágrimas
homens e mulheres que se despem
da vida estraçalhada
a aceitar a morte fora do tempo
escorraçados da noite de explosões e sofrimento
em campo de batalha sem nenhum sossego
golpes de triste aceitação
nenhum apego
do corpo à alma o desapego
na noite densa de petardos
escuras esfumaçadas onde o Senhor
abandonou o mundo às escuras de uma noite eterna
há mistério no abandono do humano
do coração o terror
a indiferença ao dia que não brilha
e o silêncio repentino
silêncio da fadiga
em tamanho desespero
mãos já não alcançam mão
a iniquidade dos petardos despedaça
mesmo a despedida fria
do resto da esperança na matança
estamos todos aqui
impotentes diante da desídia
do desmazelo em vida
da civilidade destruída
homens mortos cidadãos envilecidos
no que fica da podridão e insensatez da guerra
Rio de Janeiro, 20 de agosto de 2026