o mar
em sua incessante lida
vai e volta
por vezes longe
parece vida
a praia branca
por vezes seca
é plana e quente
o mar é sempre despedida
quando a vela branca navega decidida
em busca do nada
do outro lado da vida
alto no céu
o sol fica e brilha
aquece e passa o tempo
enquanto o vento sopra a vela branca
no horizonte largo em pleno desalento
distante e rubro entretanto o sol desce
desfaz as artimanhas do dia
na emboscada do nada
e abandona a terra fria
na negritude da superfície plana
o mar dissolve o dia
e não resta
senão o mistério e o homem
abandonado ao sonho
de buscar estrelas
sem mesmo vê-las
Rio de Janeiro, 17 de agosto de 2026