quinta-feira, 13 de agosto de 2026

FUTURO PASSADO FUTURO

 

o tempo não faz a vida

salvo lhe dar a medida

da hora 

quase sempre 

e sempre 

a desoras


a consciência aflora no escuro

e não durmo

só penso

no sentimento de turno

do sofrimento futuro

e não durmo


o tempo no tempo passado era dado

por sinos da igreja matriz

era hora de rezar acordado

em sossego 

sossego não nego 

era Paz


Rio de Janeiro, 11 de agosto de 2026.

  







 

PALAVRAS

  


quando sei

falo

quando não sei

calo


todos sabem o que dizem

ou não sabem

que não sabem

e não dizem


que vantagem é a linguagem

de poder receber uma carta

e ler alegre a mensagem

que a internet descarta


escrevo assim esses versos

para lhes ler o reverso

o que digo não escrevo

o que escrevo não digo

de verdade apenas converso

apenas o som da palavra

e pouco de minha lavra


Rio de Janeiro, 11 de agosto de 2026

terça-feira, 11 de agosto de 2026

TALVEZ TALVEZ

 

o vazio desta página

não é delírio

mas falta de inspiração

de não saber nada

e quase tudo esquecer


é proibido olhar consternado

os anos que tenho na vida

passaram

nada posso fazer


o importante é viver

o tempo a hora a verdade

os outros que aparecem ao acaso

sem procurar entender


assim o sol nasce o dia

o brilho o calor  realidade

imaginação

talvez seja a vida

talvez viver sem razão


Rio de Janeiro, 11 de agosto de 2026


ACASO

 

não falo porque não posso
do acaso da vida
da amarga dor não sentida
no ocaso presumida
sossego nos versos de outrora
sossego não nego
só que lá fora
não se aborreçam com ela
não no sem sorte dela
nem na realidade da morte
tudo que é sonhado
tem matriz no ser amado
mas o poeta é um louco
e vive do pouco um pouco

Rio de Janeiro, 11 de agosto de 2026

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

NADA

 


nada digo

porque não sei o que dizer

tudo passa

porque o tempo não segura os fatos


o que tenho não é nada

que levarei comigo

pouco tempo

aqui neste poema

tão fora de hora


o real é a hora

nem memória nem fatos

este tempo de vida

daqui a pouco é nada


Rio de Janeiro, 10 de agosto de 2026




FIM

   

nada aconteceu 

tudo passou

nem houve tempo de saber

cada fato

cada ato

no entreato de existir


tão rápido

nem sobrou uma palavra

para dizer o que não sei

como dizer

a hora que passou


o tempo nada é senão agora

não o que perdi

nem o amanhã que ainda não há

e é quase noite

o fim se vai

e nada resta


Rio de Janeiro, 10 de agosto de 2026