quinta-feira, 20 de agosto de 2026

GUERRA

   

por uma terra arrasada

debulham lágrimas

homens e mulheres que se despem

da vida estraçalhada


a aceitar a morte fora do tempo

escorraçados da noite de explosões e sofrimento

em campo de batalha sem nenhum sossego

golpes de triste aceitação

nenhum apego

do corpo à alma o desapego

na noite densa de petardos

escuras esfumaçadas onde o Senhor

abandonou o mundo às escuras de uma noite eterna


há mistério no abandono do humano

do coração o terror 

a indiferença ao dia que não brilha 

e o silêncio repentino

 silêncio da fadiga 

em tamanho desespero


mãos já não alcançam mão

a iniquidade dos petardos despedaça

mesmo a despedida fria

do resto da esperança na matança


estamos todos aqui

impotentes diante da desídia

do desmazelo em vida

da civilidade destruída


homens mortos cidadãos envilecidos

no que fica da podridão e insensatez da guerra

 

Rio de Janeiro, 20 de agosto de 2026