quinta-feira, 12 de julho de 2012

INDAGAÇÕES TRANSCEDENTAIS


como será depois que o mundo acabar
de meus textos que farei
e da vida
e meu discurso?


existe um destino universal
no juízo final
ou será particular
assim como individual?


interminável lista
angústia de um cérebro
escravizado por indagações
dominado pelo computador



e a metáfora
sinestesias
metonímias
quem as fará?



restarei eu
e você onde estará
logo agora que esquecemos a solidão
e descobrimos o coração?




Rio, julho de 2012.



quarta-feira, 11 de julho de 2012

TEMPO



nem sonhei tanto
das horas raras que vivi
falhei se querem saber
pois a maior parte dormi


Rio, julho de 2012.



terça-feira, 10 de julho de 2012

UM TEMA INACABADO


no dia em que nasci
brilhou para mim o sol
que me iluminou a vida
em turnos alternados
com a proteção da lua


em pleno dia queimei o tempo
economizando as noites
na inconsciência do sono
onde sou hoje o sonho
do que passou


uma cortina difusa
como a chuva
encobre a solidão
de minhas horas vencidas
lá atrás como ilusão


o sol do entardecer
não prenuncia a lua
e o sono domina o sonho
a escurecer


Rio, julho de 2012



sábado, 7 de julho de 2012

NOITE E DIA


não escuto o dia
mas ouço a noite
no prazer da escuridão



conheci êxtase e calma
no que para outros é bruma
senti corpo e alma
em noites de ânsia nenhuma



a lei do silêncio
faz-se pensamento
de quem sou
do quanto deixei de ter
do tudo que ainda serei


e assim entre luz e sombra
sonho tudo que tenho
nos dias sofreguidão
às noites meu coração




Rio, julho de 2012.




sexta-feira, 6 de julho de 2012

MEUS AIS




a palavra existe para soar

indecisas 


lembram teu presente
em tudo que sentes
para passar


como a brisa sopram
teus sonhos teus cantos teus ais




Rio, julho de 2012.


sábado, 9 de junho de 2012

PONTOS CARDEAIS



todos os caminhos são um caminho só
em nada variam no que lhes é final
chegam bem ou nem chegam mal
chegam todos ao mesmo lugar


quem não os descobre morre pagão
quem os conhece sabe-lhes o fim
todos os meios são os mesmos meios
nada se cria tudo é repetição


pequenas variações dependem do vento
passando nas quatro direções
que se amarram em um planeta só


o norte é uma questão de posição
o sul é um olhar sem direção
leste oeste meras convenções 


Rio, junho de 2012



terça-feira, 5 de junho de 2012

CALAR




choro...choro apenas porque nada sei da vida
meus olhos perseguem o sonho
que avança sobre meus dias 
e não revela o mistério da sabedoria


choro...choro porque não aprendi
hoje tendo a crer que talvez calar seja saber



Rio, junho de 2012