quinta-feira, 20 de junho de 2013

RENASCIMENTO



sempre existe a esperança
de que a vida que a alma tem
renasça pura criança

Rio, junho de 2013


O MEDO


nem a verdade nem a mentira
mas o medo que medra entre escombros 
de uma construção sem projeto

Rio, junho de 2013


terça-feira, 18 de junho de 2013

UMA CANÇÃO PARA A MULTIDÃO






uma lembrança da juventude 
[a que tivemos e a que hoje se manifesta]



viandante viandante

saia à rua e caminha 
a via é estreita
longo é o caminho
enamora-te do sonho
mas não durmas
canta uma canção

cantemos 

cantemos todos 
uma canção de liberdade
justiça
ambiente e sociedade
que é da gente 
da multidão já cansada
de viver na ilusão

somos todos caminhantes

silenciosos
maioria que não fala
mas alma 
que não aprendeu a calar

Justiça 

Democracia Liberdade
Ambiente e Sociedade

viandante 

é caminhante que não cala
cem duzentos hoje trezentos 
milhares a entoar o mantra
que nos fala do presente
ansioso
pelo futuro diferente

cantemos 

cantemos todos a canção
que é da gente 
da multidão já cansada
de viver na ilusão



Rio, junho [nas ruas] de 2013

quinta-feira, 13 de junho de 2013

[DES]INSPIRAÇÃO





inerme inerte desatento
já não escrevo
falta-me a arma da palavra
faltam versos

sobrevivo aos pedaços

sem conseguir ser outro
ser eu mesmo ou alguém
sou ninguém

deixo a quem um dia os leu

meus escritos mal amados
abandonados
ao descolorido azul do céu

mas espalham-se estilhaços 

para talvez em algum lugar
galáxia perdida no universo
reencontrar-se em versos


Rio, junho de 2013


sexta-feira, 26 de abril de 2013

ILUSÃO

amar com cautela 
é não acreditar
pensando nela

o amor engana

cuidado
tudo é cifrado
onde parece carinho
pode ser só descaminho

Rio, abril de 2013.



ESCOLHOS



a consciência não inclui tudo
ter alma talvez

se penso na morte
é largo o mar
muito há por navegar

consciência aos pedaços
náufrago no universo
navego na direção do que vejo
escolhos a terra e o céu

Rio, abril de 2013.




terça-feira, 23 de abril de 2013

A PORTA



A porta fechada é real
porta
de nenhum para qualquer lugar

portas para serem fechadas
como o dia que deixa a manhã
tornar-se tarde até anoitecer

a porta existe
para o surreal


Roma, julho de 2005/Rio, abril de 2013