sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

POEMA A QUATRO MÃOS



para minha neta Ana Luiza, co-autora


ouço vozes como cantos 
de crianças sorrisos
aqui onde estou
sonhando
com o inicio do mundo
são meus netos
minha vida

ouço como fossem flores
e seus perfumes 
que me acordassem
todas as lembranças
da vida que vivi 
e tudo existe porque existo
netos porque sentimos
e isso é tudo
porque tudo é isso

Rio, dezembro de 2015







sexta-feira, 2 de outubro de 2015

DEVOÇÃO



(no dia de teus anos)

tua magia é seres tu
que me tocas o velho coração como em sonho 
de um passado que não volta 
mas recordas 
no gesto de amor com as crianças 
em tua devoção 
filhos que são nossos 
na nuvem de lembranças lindas 
nunca findas 
que tantas vezes tenho
por querer e não querer

sou ainda aquele que te ama
neste palco em que serás sempre rainha
e as lembranças
são o caminho que trilhamos
sem ter fim
mas palavras não são tudo
saudade da beleza na vida que me destes. 

Rio de Janeiro, 2 de outubro de 2015

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

DO SONHO AO PÓ




Só meu sonho vive a minha vida
nele reconheço o que sou
o que foi e o que tenho sido
e tanto é tudo 
do abstrato engano
ao amor de que sou cativo

seja o dia final o fim de tudo
e me converterei ao pó
de onde hei nascido
mas nunca arrependido
do que fiz e fui
o mesmo eu
eu só
vivido

Rio de Janeiro, setembro de 2015




quarta-feira, 8 de julho de 2015

SONETO DA ILUSÃO




tudo quanto sou pertence ao passado
do que fui distraído no caminho
inconseqüente em longa viagem
nada criei no deserto do aquém

o tempo pusilânime e vazio
matou o futuro impiedoso e vago 
de que o presente é como um rio 
cansado espraiado e frio

sigo adiante desconhecendo anos
paralizado e roto de tudo que sonhei
já nem sou mais eu despedaçado

de tudo clamo desenganos
um tanto sonolento esfarrapado
do que perdi no parque de ninguém


Rio, julho de 2015


sábado, 4 de julho de 2015

O QUE SERÁ




o que passou é quase tudo 
causa para continuar
essa descoberta do futuro 
logo ali

o que sou versus o que não serei
lapso de tempo 
que me dói
deixando na sombra do passado
o que foi

Rio, julho de 2015


quarta-feira, 6 de maio de 2015

BRISA




triste não sou
nem estou o que não sou
mas o dia é hoje
com a promessa de amanhã
véspera soprada do que não sei
brisa trazendo o que serei

Rio, maio de 2015


ACASOS




por mais que fosse o que não fui
não quisera ser o que esquecesse
o tempo que não sou

nada planejei mas de repente 
tudo aconteceu mesmo o acaso
que o vento soprou ou eu sonhei

no fim seria advinhar
a teia infinda do futuro
acaso foi inda será?


Rio, maio de 2015