quarta-feira, 24 de março de 2021


VIA QUE SIGO

                                                                                Fábio Luiz Delfino (autor)

                                                                                                                       

é inútil pensar no passado

de fato

ou já foi esquecido

ou com o fato 

talvez

eu já tenha aprendido


Rio, Duque de Caxias, 24 de março de 2021                                                                                                                               Flávio Perri (revisor)    




sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

ALICE [minha neta]



                                                            Tu és linda!

0,01 hora 

esperei por ti

hora mágica

da aurora de teu dia


é 18

dezembro  de 2007

brilhou a luz que me ilumina

há treze anos 


Alice

tua doçura

é dona de meus sonhos

mas hoje 

meus olhos são mais teus

para dizer-te linda

como desde sempre faço


linda palavra escolhida

para dize-te do amor

que te seguirá por toda vida


Alice se ninguém ainda disse

[o que duvido]

repetirei

- tu és linda!  


minha neta!


Rio de janeiro, 18 de dezembro de 2020.




segunda-feira, 2 de novembro de 2020

FADO

 


o mar diante de mim se apodera

do pensamento errático que aflora


uma a uma as ondas se apequenam

espalham-se grisalhas pela areia

tudo que me toca é o sentimento

do inviolável fado 

esse mesmo que em impiedoso me condena

a poucas coisas em poucos dias quase nada


não será orgulho mas delírio

olhar em frente e confrontar o espaço

esquentar o sol enxugar o pranto

cerrar os olhos e esperar o tempo

  

Rio da pandemia, novembro de 2020 




domingo, 25 de outubro de 2020

POESIA [explicação íntima]

 


poesia

amigo

é um traço de humanidade

e sentimento

é um som fresco

como a água

diz o poeta

é a palavra

no esforço de viver


por vezes encontro

a palavra mágica

que dá lugar ao pensamento


minha vida

é um sonho imaginário

se me entendes

amigo

meu coração surpreso

por não saber

por que vivo


no fundo do tempo

o abismo

no largo do espaço

meu país


talvez o poema

seja um grito

no deserto

do que não me cabe mais ser


Rio de Janeiro, outubro de 2020.


sábado, 24 de outubro de 2020

MEU PAÍS

 



a terra é o planeta

segue em giro em pleno céu

exibe gente povos floresta

o mar por toda parte

 

oceano

aqui pariu Brasil

onde tudo dá

jardim no paraíso tropical

 

corre o tempo

cidades cimento prédio escolas

jovens em busca de futuro

indústria 

o desejo de crescer

e boi no pasto

soja milho café

 

universo dentro do universo

aberto franco cordial

aprende entende faz-se entender

e de povos gente mar e floresta

busca a paz em paz 

e dele nada escapa

 

fronteiras não trincheiras


palavra urge voz

canto e dança

samba funk tamborim

evolução social e alegria

no prazer de tudo

 

amor não desamor

 

ciência técnica e luz

liberdade respeito igualdade

esse é meu país

                              

                            Rio de Janeiro, outubro de 2020


segunda-feira, 14 de setembro de 2020

MANHÃ

 

manhã
melancólica manhã de incertezas
águas do rio para o mar
sinto o que não será

desejos

a prancha de surf talvez ajudasse
o dia não me pertence

o sol já não aquece
navego sem navegar

Rio da pandemia, setembro de 2020

A UM IRRESPONSÁVEL

 


UM IRRESPONSÁVEL

 

homem sem destino

o que faz não nos dá paz

 

na sombra esfumaçada de queimadas

se vislumbra o fim

 

o pesadelo de aves e da gente

indistinto clamor

transformado em fábula  

traz um só horror

 

Amazônia o Pantanal a inclemente seca

seres vivos mortos

e o índio moribundo

última chama

 

homem irresponsável sem destino

só lhe resta o fim

 

Rio da pandemia, setembro de 2020.

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