VIA QUE SIGO
Fábio Luiz Delfino (autor)
é inútil pensar no passado
de fato
ou já foi esquecido
ou com o fato
talvez
eu já tenha aprendido
Rio, Duque de Caxias, 24 de março de 2021 Flávio Perri (revisor)
"Porém, pera cantar de vosso gesto a composição alta e milagrosa, aqui falta saber, engenho e arte." Luís de Camões ... assim encontrareis aqui palavras magoadas a tornar o fogo frio e dar descanso a minha alma condenada ...
Tu és linda!
0,01 hora
esperei por ti
hora mágica
da aurora de teu dia
é 18
dezembro de 2007
brilhou a luz que me ilumina
há treze anos
Alice
tua doçura
é dona de meus sonhos
mas hoje
meus olhos são mais teus
para dizer-te linda
como desde sempre faço
linda palavra escolhida
para dize-te do amor
que te seguirá por toda vida
Alice se ninguém ainda disse
[o que duvido]
repetirei
- tu és linda!
minha neta!
Rio de janeiro, 18 de dezembro de 2020.
o mar diante de mim se apodera
do pensamento errático que aflora
uma a uma as ondas se apequenam
espalham-se grisalhas pela areia
tudo que me toca é o sentimento
do inviolável fado
esse mesmo que em impiedoso me condena
a poucas coisas em poucos dias quase nada
não será orgulho mas delírio
olhar em frente e confrontar o espaço
esquentar o sol enxugar o pranto
cerrar os olhos e esperar o tempo
Rio da pandemia, novembro de 2020
poesia
amigo
é um traço de humanidade
e sentimento
é um som fresco
como a água
diz o poeta
é a palavra
no esforço de viver
por vezes encontro
a palavra mágica
que dá lugar ao pensamento
minha vida
é um sonho imaginário
se me entendes
amigo
meu coração surpreso
por não saber
por que vivo
no fundo do tempo
o abismo
no largo do espaço
meu país
talvez o poema
seja um grito
no deserto
do que não me cabe mais ser
Rio de Janeiro, outubro de 2020.
a terra é o planeta
segue em giro em pleno céu
exibe gente povos floresta
o mar por toda parte
oceano
aqui pariu Brasil
onde tudo dá
jardim no paraíso tropical
corre o tempo
cidades cimento prédio
escolas
jovens em busca de
futuro
indústria
o
desejo de crescer
e boi no pasto
soja milho café
universo dentro do
universo
aberto franco cordial
aprende entende faz-se
entender
e de povos gente mar e
floresta
busca a paz em paz
e dele nada escapa
fronteiras não
trincheiras
palavra urge voz
canto e dança
samba funk tamborim
evolução social e
alegria
no prazer de tudo
amor não desamor
ciência técnica e luz
liberdade respeito igualdade
esse é meu país
Rio de Janeiro, outubro de 2020
UM IRRESPONSÁVEL
homem sem destino
o que faz não nos dá paz
na sombra esfumaçada de queimadas
se vislumbra o fim
o pesadelo de aves e da gente
indistinto clamor
transformado em fábula
traz um só horror
Amazônia o Pantanal a inclemente seca
seres vivos mortos
e o índio moribundo
última chama
homem irresponsável sem destino
só lhe resta o fim
Rio da pandemia, setembro de 2020.
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