quinta-feira, 2 de outubro de 2025

NADA A DIZER

 

vivo da memória
e por ela sei o que devo fazer
na sequência haverá um nexo
pois sonho com um futuro que não verei
para quem sou isso basta
nesse equilíbrio entre ser e não ser
penso nisso
encontro outro que seja como eu
diálogo não há
ou eu ou ele estamos distraídos
indiferença
mas escrevo tentativamente versos
que possa revelar um tanto da história
que não consta de minha correspondência
Rio de Janeiro, 02 de outubro de 2025

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Perplexidade

   

existo e sou levado a pensar
em mim e nos que me são iguais
nos homens que sobrevivem
e nos que se foram depois de acreditar

é preciso encontrar um sentido
das coisas que nos rodeiam
em cada dia e não se fazem sentir
e me transmitem percepções e sentimentos

talvez esse seja o sentido do real
um todo não partes
alma e corpo
visível e invisível

serei poeta a registrar o homem
que amou a vida
e a viveu completa
entre terra e céu

direi enfim que só viver
é o que sei
e sei que vivem flores
entre pedras que não são amores

Rio de Janeiro, 30 de setembro de 2025

domingo, 28 de setembro de 2025

SER POETA

 

nem sou poeta nem me proponho a ser
letras compõem o que de fato sou
e escrevo porque não tenho escolha
sou sempre eu mesmo nem alegre nem triste
acordo ao sol e dele faço opção
brilha e sinto o impulso de escrever
sem nada novo exceto a luz do dia
e minha íntima alegria
as noites passo sem imaginar o claro
obrigação de definir o que pensar
assim descubro a vida e descrevo tentativamente o mundo
trazendo comigo o sentido de viver
penso no que parece ser verdade
sem qualquer tempo ou idade
e o pensamento passa como as águas de um rio
para encantar mas não para ficar
não conheço se há verdade nos meus versos
sequer se há poesia no que dizem
mas a compulsão do sol me expõe
a arriscar sempre e escrever.
Rio de Janeiro, 28 de setembro de 2025
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segunda-feira, 22 de setembro de 2025

VIVER

 

mistério de existir
incompreensão
muda
desbordando a vida
desconheço cada dia
e estou só
por toda tarde
só noite vem
para pensar existem deuses
que pensem fundo
nem bem na morte
no vício de viver
não morro vivo
esse quem sou
e muito insisto
velho e aqui fico

Rio de Janeiro, 22 de setembro de 2025

EU SÓ

 




nada há que me socorra
mais do que eu mesmo
perdido na existência
e me angustio

tudo há comigo
na esperança e desesperança
no mistério de existir
percepção de vida

e vejo claro
no sonho amargo
que em silêncio durmo
quase fora de mim

silêncio quase morte
na alma ruidosa
incoerente
que me deixa já

tudo é consciência
e pensamento
por um momento
me despeço e vou

Rio de Janeiro, 22 de setembro de 2025


quinta-feira, 18 de setembro de 2025

MAR

 

mar que encanta me faz delirar
sobre tesouros resultado
do mar a navegar
Arpoador dourado ao fim do sol
resume a vida
do azul e ilhas repousantes
tornando o horizonte distante
a curiosidade do sonho
do que deve haver adiante
é meu sonho ver passar navios
e suas velas brancas
sensação de um sopro e um apito
o perigo atrás da reta linha
delícias de África
o mundo todo que me vê passar
o delírio azul do mar
como se tudo fosse
tudo a resumir meu mundo
Rio de Janeiro, 18 de setembro de 2025

ESPERA?


Dizem os céus que ser velho e amar
nada tem de natural
tudo é tão breve que negligenciar o tempo passando
seria sandice maior

mão aqui onde estou aos 84 anos
não esquecerei as dádivas da vida
e viverei a alegria contida do tempo
que passa fugaz e frio

trata-se de alcança-lo se possível
correr atrás do vento
das nuvens no céu que se transformam
amar o azul e sonhar com o verde
que em camadas de espuma me tocam os pés

não não é o céu que espero
mas as derrotas da terra que me fascinam
e seguirão no amor sem fim no suspiro
que ainda respiro do que me lembro
e busco repetir
meus dias gozarão o sonho

Rio de Janeiro, 19 de setembro de 2025

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