domingo, 1 de agosto de 2010

VAGAPROSA






Procurem [www.vagaprosa.blogspot.com], o meu blog de textos improvisados diversos!
Há ali de tudo, quase sem censura...






sexta-feira, 30 de julho de 2010

NARUTO SHIPPUDEN [animação poética]: "sinto tua presença"






"quando fecho os olhos sinto tua presença"
[de uma frase de Naruto Shippuden]

...também eu sou mortal
e tu serias um espírito breve instável sensível
sobre meu sonho nesta cápsula terrestre
de onde sem o desejar
a indesejada visita me convidará
para ultrapassar portas desconhecidas

seria mais um que se despede
na ilusão de reviver
para encontrar-te

enganei-me pois encontrei-te antes
e tu não eras a borboleta breve que pensei
instável sim
frio na cortante espada
em guerra declarada
mas sensível ao toque como todos os mortais

és animação viva
presente em frases onde o poema encontra seu lugar
és idealização da juventude sonhada e desejada
nos traços perfeitos de tua missão
Naruto de meus sonhos
realização

és desejo só tolhido arrefecido
até às lagrimas derramadas
de uma voz que não alcança os ramos altos
e não é ouvida
por quem espírito outrora
és corpo e membros
de tudo que sonhei
na alegria de tua animação

assim o rio de minha vida chega à foz
para conhecer onde nasce o sol
e murmurar palavras
desconhecidas
Naruto idealizado
exposto ao sonho do real
de minha vida
"iiiê wo tojireba ima mo kimi ga soko ni iru you de"


Rio, 30 de julho de 2010




terça-feira, 27 de julho de 2010

MINHA CASA







a pedra de minha casa
não se abala
que minha casa é feita da palavra
a começar o dia no infinito

de pedra em pedra fiz meus dias
em firmes movimentos da verdade
sem idade apenas lealdade
a sentir imensa a realidade

hoje sob vento forte ainda
a palavra não difere do silêncio
que é o sonho e vida nova

a casa está presente no poema
guarda almas é fonte e se renova
ao sopro livre dessa brisa linda


Rio, 27 de julho de 2010




domingo, 25 de julho de 2010

DESEJO ETERNO





feliz na longa vida
concedi-me a paz de não pensar
nos males e na gente que um dia
fizeram-me penar

mas se for para vos deixar
amigos
minha alma há-de ficar
não por meu sofrer
mas por muito amar

amei as alegrias
que de saudade trago comigo
por vos ter

vai longa a vida
não me doem mágoas
que as tenho suspendidas
por amor
e nenhum mal no pensamento
que não fiz por merecer

morro
despeço-me de bem com todos
nenhum remédio
senão o eterno desejo de ficar

Rio, 25 de julho de 2010.




terça-feira, 29 de junho de 2010

CANTO PARA UMA POETA


[à lembrança doce de Christiana Novoa no facebook]


os ventos que levam balões enfeitam a vida de momentos passageiros
ensinam a navegar livres
no ar
que nos é tudo
transparente como a presença do amor
não se desfaz
e sobrevive como olhos a nos olhar por dentro
o que talvez seja a nudez exemplar

uma vida é um instante da imensa eternidade
para onde todos vamos
na dança do eterno retorno
ao lugar [lugar?] de onde viemos
e por enquanto aqui estamos
e isso é tudo
quando apenas sonhamos o amanhã
que só alguém sabe o que é...

Rio, junho de 2010




sábado, 26 de junho de 2010

INCERTEZA








assolado o infinito sem tempo é medida do que não há
nesta realidade cerceada rente a muros de incerteza

imortal instante isolado
o momento não vivido
é passado de futuro incerto
presente confinado à consciência
de que agora ontem tem outras cores
e é outra história

encantados entre números e suposições
o universo e a eternidade cruzam-se
para desmentir o visível
na distância imensurável dos anos-luz

encontro olhos que se indagam
mutuamente
em busca do que parece
a razão irracional dos templos

de tudo resta-me a luz de amores intangíveis
e o quanto penso
enquanto o sol me acaricia
como instrumento do que talvez seja a alegria

Rio, junho de 2010






IDADE







onde encontrar tempo na eternidade
como contar o instante no infinito
quando resolver a dúvida do presente
que tem passado inventa o futuro
mas não se apreende?

pergunto-me para gozar a irrealidade de tudo
enquanto espero o inverno
em pleno outono
de muitas flores e um prazer imenso...

vejo-me no outro
mas não me espelho
apenas constato que nada é opaco
e a transparência será identidade

não há idade
o tempo desfaz-se na eternidade

Rio, junho de 2010