se chorar fosse sorrir
pareceria contente
o triste sentir
Rio, julho de 2013
nem mais nem menos
ou tudo ou nada
neste sonho que o sono traz à vida
tanto desejada quanto pressentida
o resto é claro dia
Rio, julho de 2013
em tons vermelhos o céu apaga o dia
alegrias e tristezas passaram pela estrada
alheias através das horas
que o sol da manhã à tarde percorreu
ficção a lua que já brilha
clara recolhe mágoas
sombreadas vívidas mortas
abandonadas
à lembrança fria que as viveu
é mais um dia que a noite desafia
insepulto fogo fátuo
no sonho de um sono não seguro
que desperta e dorme a hesitar
Rio, julho de 2013
velas ventam a tarde azul
sopram silêncio no horizonte
refletem prata
e a maresia sob o sol
dourada
tudo em mim são elas e o mistério
da perfeição entre céu e mar
destinada sem estrada
exceto pontos cardeais
Rio, julho de 2013
o ruído pertence ao silêncio
do que sou
crepitante o fogo continua a vida
na visão desassistida
do racional transformado em erma estrada
passo a vista sobre o dia-a-dia
e não alcanço a distância no horizonte
futuro sem guarida
e o passado a ilusão de haver sido
vão sentido de existir
o que sonhei não será mais
o momento de chegar é a partida
não estarei outros não sabem
ou não cogitam
sei
que em pouco não serei
Rio, julho de 2013
não se constrói na escuridão
a noite fria sem constelações
não permite o sonho
nem o sonho sobrevém ao sono
da meia vigília de viver
pudesse eu dizer que existo
a consciência talvez me liberasse
do limbo de não ver
sombras à margem do real
o verdadeiro quem sabe
de onde estou
foge a linha do horizonte
o caminho que não se abre
segue
em vão
Rio, julho de 2013
tudo que eu poderia dizer
leva a nenhum lugar
mas o sol brilha impiedosamente
onde no espaço da luz
vela sobre a matéria inútil
o tédio da alma
que sem tempo deixa correr o tempo
sobre o mesmo olhar
de uma saudade lancinante
do que se foi
Rio, julho de 2013