domingo, 19 de julho de 2026

DEJETO

 

não há começo nem fim
talvez a vida
e as coisas todas
a serem vividas enfim
assim estou eu
os anos e um lugar
sem mais projeto
nem meio
dejeto
é possível viver
enquanto avança a liquidação
e o isolado planeta
é lugar de diversão
ainda
esperar a sobrevivência
entre a loucura e a desesperação
não é muito
é o que resta
e violência
Rio de Janeiro, 19 de julho de 2026

terça-feira, 7 de outubro de 2025

VIDA

 

estou onde sinto
o mistério da vida
e toda a velocidade do tempo

cruzou por mim esse tempo
e não me fez melhor
isolado e vadio ao vento

frio arremedo de vida
de onde me resta partir
sem saber onde chegar

em câmara lenta o momento
de um desejo suprimido
é pena de todos os dias

Rio de Janeiro, 7 de outubro de 2025

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

NADA A DIZER

 

vivo da memória
e por ela sei o que devo fazer
na sequência haverá um nexo
pois sonho com um futuro que não verei
para quem sou isso basta
nesse equilíbrio entre ser e não ser
penso nisso
encontro outro que seja como eu
diálogo não há
ou eu ou ele estamos distraídos
indiferença
mas escrevo tentativamente versos
que possa revelar um tanto da história
que não consta de minha correspondência
Rio de Janeiro, 02 de outubro de 2025

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Perplexidade

   

existo e sou levado a pensar
em mim e nos que me são iguais
nos homens que sobrevivem
e nos que se foram depois de acreditar

é preciso encontrar um sentido
das coisas que nos rodeiam
em cada dia e não se fazem sentir
e me transmitem percepções e sentimentos

talvez esse seja o sentido do real
um todo não partes
alma e corpo
visível e invisível

serei poeta a registrar o homem
que amou a vida
e a viveu completa
entre terra e céu

direi enfim que só viver
é o que sei
e sei que vivem flores
entre pedras que não são amores

Rio de Janeiro, 30 de setembro de 2025

domingo, 28 de setembro de 2025

SER POETA

 

nem sou poeta nem me proponho a ser
letras compõem o que de fato sou
e escrevo porque não tenho escolha
sou sempre eu mesmo nem alegre nem triste
acordo ao sol e dele faço opção
brilha e sinto o impulso de escrever
sem nada novo exceto a luz do dia
e minha íntima alegria
as noites passo sem imaginar o claro
obrigação de definir o que pensar
assim descubro a vida e descrevo tentativamente o mundo
trazendo comigo o sentido de viver
penso no que parece ser verdade
sem qualquer tempo ou idade
e o pensamento passa como as águas de um rio
para encantar mas não para ficar
não conheço se há verdade nos meus versos
sequer se há poesia no que dizem
mas a compulsão do sol me expõe
a arriscar sempre e escrever.
Rio de Janeiro, 28 de setembro de 2025
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segunda-feira, 22 de setembro de 2025

VIVER

 

mistério de existir
incompreensão
muda
desbordando a vida
desconheço cada dia
e estou só
por toda tarde
só noite vem
para pensar existem deuses
que pensem fundo
nem bem na morte
no vício de viver
não morro vivo
esse quem sou
e muito insisto
velho e aqui fico

Rio de Janeiro, 22 de setembro de 2025

EU SÓ

 




nada há que me socorra
mais do que eu mesmo
perdido na existência
e me angustio

tudo há comigo
na esperança e desesperança
no mistério de existir
percepção de vida

e vejo claro
no sonho amargo
que em silêncio durmo
quase fora de mim

silêncio quase morte
na alma ruidosa
incoerente
que me deixa já

tudo é consciência
e pensamento
por um momento
me despeço e vou

Rio de Janeiro, 22 de setembro de 2025