sábado, 23 de janeiro de 2010

TANTA VIDA




[ Cf. Longitudes - http:// nydiabonetti.blogspot.com ]


diante de meus olhos
tanta vida

longe de meus olhos
nada é alheio a mim
além de meus olhos o mistério
de a vida ser assim

Rio, janeiro de 2010



CONSTATAÇÕES






não me engana a morte
nem me tenta a sorte
e sendo isso tão certo
vivo de muito sentir

diante do espelho embaçado
vejo quem deve morrer
mas vive por muito querer

porque penei nem sei
peno sem razão
só me fere o coração

mas tenho medo confesso
de amar o que desconheço
obrigado pelo destino
e pela sorte ao avesso
começo por onde termino
termino quando começo

vivo sem desenganos
conheço todos os danos
nasci para amar viver
para renascer e morrer

não tenho horror de morrer
o que temo é deixar de viver

Rio, janeiro de 2010



PROMESSA








Por teu irmão...
diz confiança em ti
diz humilde tua gratidão
promete a ti mesmo teu futuro
tu és Homem
Deus entenderá!

Rio, 22 de janeiro de 2010



quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A LUTA DE TODOS NÓS








[uma prece]



...diz apenas confiança humildade força
diz firme quem tu és
não te abandones à sorte
luta
tens um deus dentro de ti
irmão

Rio, 21 de janeiro de 2010



terça-feira, 19 de janeiro de 2010

PENSAR E DISPENSAR









"...vida esperar pudera esta cativa/
vida já quase em lágrimas desfeita/..."
[Camões - soneto 191]


I

...tua alegria à tarde sopra
a borboleta de meu sonho

II

..é plena de amor a tarde
olha o céu
ainda arde

III

vivo o sobrevôo refletido
antes da partida

IV

...à tardinha quase noite
alguém insiste e bate à porta
deixo
e o rumor dos passos esmaece

V

pudesse eu trazer de volta todos
ou apenas alguns
como outrora caminhando juntos
então eu viveria tudo novamente

VI

trêmulo neste frio íntimo
reconforta-me teu calor
assim como és
afastando o inverno

VII

flutuam em minhas pupilas
lembranças

VIII

nasci antes de ser
não partirei sem viver

IX

ainda antes de tudo acabar
vivo a alegria de estar

X

tudo é como tem de ser
o caminho do vento é sutil

XI

aonde se esconde a noite quando brilha o sol?

XII

os sons do infinito
não ressoam
na alegria do finito

XIII

e de repente da antiga trilha
fiz novo caminho

XIV

no lusco-fusco do entardecer
ainda brilha
o amor possível

XV

luzes cintilam tímidas
e a escuridão não amedronta

XVI

e o caminhante caminha o seu destino

XVII

"...que o amor é um
não pode ser partido..."
[Camões - soneto 189]

Rio, janeiro de 2010




segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

JUVENTUDE TARDIA








...não sei como chegastes
nem sei mesmo se exististes
mas vejo-te e não me assustas
no fio longo que teces

tua vida dá ao céu estrelas
tua luz o bosque que aconchega
tua sombra o sono em que adormeço
estás em mim como a fonte que dá vida
escudo espada ou flor
conheci-te sem conhecimento
entendi sem mesmo entendimento
claro enigma
do amor que dói mesmo sem dor
e vive sem saber

assim quanto mais distante estás
a sede de alegria ainda sacias
e na ilusão de ver-te
meus sentidos pedem vida
sem culpa cometida

querer-te encanta
é dentro de mim
que tudo canta...

Rio, janeiro de 2010


sábado, 16 de janeiro de 2010

FURTIVOS DIAS






já tive a vida
e meus desejos
os meus amores
e desatinos
não culpo os dias
nem o destino
canto o encanto
de ter vivido

já a saudade
furtiva dói
em cada noite
que o outro dia
é mais um dia
um que se soma
um que se perde
um dia sim um dia não
para quem canta esta canção

Rio, janeiro de 2010