quarta-feira, 24 de julho de 2013

A NOITE DE MEU TEMPO



fantasma de magia incerta
o sonho é pálida luz no sono 
como passeio noturno sem destino certo

durmo desperto desmaio diante da razão
que me faz viver de esperar
o que a fantasia não trará

sou noite em parte do meu tempo
beiro o real e quase esqueço
o essencial do que preciso
no vácuo entre o que sou
e o prazer de ser

Rio, julho de 2013






segunda-feira, 22 de julho de 2013

A NOITE ILUMINADA

[recuperando versos antigos para Beatriz Azevedo]

a noite que pressinto é clara
vem do azul profundo a luz que a alumia
na espreita malandra da aurora
atrás em céu escuro
da luz de estrelas 
irmãs do sol que ignoram

a noite rege o coração
não o que bate sessenta e três vezes por minuto
não o que sangrento tinge quadros santos
não o coração que nunca tem razão
mas o coração que ama
racional e intelectualmente a vida

sim às noites sou apaixonadamente claro
os olhos encantados por constelações de amores
humanamente decidido a viver a vida
como antigo marinheiro sobre a gávea
a encontrar versos nos cais distantes
e a magia iluminada de pensar poemas


Roma/Rio, janeiro de 2003/julho de 2013
  

domingo, 21 de julho de 2013

DIA E NOITE



suave a noite descansa de seu dia
ouvindo-a pressinto a calma que irradia

o sonho confirma o sentimento
e o compasso da brisa sopra estrelas
que iluminam o céu escuro
como vidrilhos a guardar
a-va-ra-men-te 
a luz do sol

são sóis elas mesmas a piscar distantes
o som do vento sideral que as guia 

ouço-as tranquilo e vivo a fantasia
do dia que me espera

Rio, julho de 2013



sábado, 20 de julho de 2013

NOITE E DIA




o tempo estilhaça o fim da tarde 


a noite ávida devora

um céu que não resiste
sangrento mudo deprimido
e morre o dia 

constelações em pranto
choram noturnas o tempo humano que reluta

soa distante réquiem 

solene sentimento que celebra a morte 
mas anuncia
mis-te-rio-sa-men-te
um vago sopro de futuro

a chama resistente ainda acesa

transforma em suave melodia
a manhã que incendeia
e nasce o dia



Rio, julho de 2013



sexta-feira, 19 de julho de 2013

CONSTATAÇÃO



se chorar fosse sorrir
pareceria contente
o triste sentir 


Rio, julho de 2013


SONO RADICAL



nem mais nem menos

ou tudo ou nada
neste sonho que o sono traz à vida
tanto desejada quanto pressentida
o resto é claro dia


Rio, julho de 2013



quinta-feira, 18 de julho de 2013

NOITE E DIA



em tons vermelhos o céu apaga o dia

alegrias e tristezas passaram pela estrada         
alheias através das horas
que o sol da manhã à tarde percorreu

ficção a lua que já brilha 

clara recolhe mágoas 
sombreadas vívidas mortas 
abandonadas
à lembrança fria que as viveu 

é mais um dia que a noite desafia

insepulto fogo fátuo 
no sonho de um sono não seguro
que desperta e dorme a hesitar


Rio, julho de 2013