domingo, 21 de julho de 2013

DIA E NOITE



suave a noite descansa de seu dia
ouvindo-a pressinto a calma que irradia

o sonho confirma o sentimento
e o compasso da brisa sopra estrelas
que iluminam o céu escuro
como vidrilhos a guardar
a-va-ra-men-te 
a luz do sol

são sóis elas mesmas a piscar distantes
o som do vento sideral que as guia 

ouço-as tranquilo e vivo a fantasia
do dia que me espera

Rio, julho de 2013



sábado, 20 de julho de 2013

NOITE E DIA




o tempo estilhaça o fim da tarde 


a noite ávida devora

um céu que não resiste
sangrento mudo deprimido
e morre o dia 

constelações em pranto
choram noturnas o tempo humano que reluta

soa distante réquiem 

solene sentimento que celebra a morte 
mas anuncia
mis-te-rio-sa-men-te
um vago sopro de futuro

a chama resistente ainda acesa

transforma em suave melodia
a manhã que incendeia
e nasce o dia



Rio, julho de 2013



sexta-feira, 19 de julho de 2013

CONSTATAÇÃO



se chorar fosse sorrir
pareceria contente
o triste sentir 


Rio, julho de 2013


SONO RADICAL



nem mais nem menos

ou tudo ou nada
neste sonho que o sono traz à vida
tanto desejada quanto pressentida
o resto é claro dia


Rio, julho de 2013



quinta-feira, 18 de julho de 2013

NOITE E DIA



em tons vermelhos o céu apaga o dia

alegrias e tristezas passaram pela estrada         
alheias através das horas
que o sol da manhã à tarde percorreu

ficção a lua que já brilha 

clara recolhe mágoas 
sombreadas vívidas mortas 
abandonadas
à lembrança fria que as viveu 

é mais um dia que a noite desafia

insepulto fogo fátuo 
no sonho de um sono não seguro
que desperta e dorme a hesitar


Rio, julho de 2013



PONTOS CARDEAIS



velas ventam a tarde azul
sopram silêncio no horizonte
refletem prata
e a maresia sob o sol
dourada

tudo em mim são elas e o mistério
da perfeição entre céu e mar
destinada sem estrada
exceto pontos cardeais


Rio, julho de 2013





PASSAGEM



o ruído pertence ao silêncio 
do que sou

crepitante o fogo continua a vida

na visão desassistida
do racional transformado em erma estrada

passo a vista sobre o dia-a-dia

e não alcanço a distância no horizonte
futuro sem guarida
e o passado a ilusão de haver sido

vão sentido de existir

o que sonhei não será mais 

o momento de chegar é a partida

não estarei outros não sabem
ou não cogitam
sei 
que em pouco não serei


Rio, julho de 2013