"Porém, pera cantar de vosso gesto a composição alta e milagrosa, aqui falta saber, engenho e arte." Luís de Camões ... assim encontrareis aqui palavras magoadas a tornar o fogo frio e dar descanso a minha alma condenada ...
segunda-feira, 23 de março de 2009
UM POEMA
escrevo um poema de melancolia
da saudade difusa que levo comigo
de um passado que não tive
no presente que não vivo
no horizonte um futuro
derrama-se em vagas
brancas e esquivas
debruço-me para reconhecer-me
no fim de tudo...
Rio, março de 2009.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
RIO
A large smile
It’s summer in Rio
o mar desmaia
grisalho sobre mim
sorrio
é minha praia
a brisa
acaricia a floresta
e uma vela no horizonte
da janela navego o largo mar
sorrio
alheio
estou no Rio...
Rio, fevereiro de 2009
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
DESEJO
... quero tocar-te a pele
e deixar-te ao poente
nesta loucura do passar os dias
de oriente a ocidente
quero tocar-te quente
arder-te sem queimar-te
e voltar
para ser teu assim de repente
quero esse querer ardente
que já não sei se basta o sol
ou outra luz
que ilumine e queime
impiedosamente
nesta loucura do passar os dias
de oriente a ocidente
quero tocar-te quente
arder-te sem queimar-te
e voltar
para ser teu assim de repente
quero esse querer ardente
que já não sei se basta o sol
ou outra luz
que ilumine e queime
impiedosamente
meu desejo
de querer-te sem sentir para depois morrer...
Rio, fevereiro de 2008
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Rio
...o mar aqui bem perto
são espumas
a deslizar e fazer durar
o instante
este chuvisco sutil
esse por do sol
cor do mar
poeira salgada
das entranhas verdes
desse Rio que me desperta cheiros
ritmo
sorriso
a encontrar amigos
coniventes
no amar
cada corpo ágil e o olhar
Rio, fevereiro de 2009
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
MAZELAS
...mazelas...não arrisco falar delas
físicas morais intelectuais e até mesmo virtuais
despencam torrenciais
desprendem-se ao mínimo rumor
de um pálido suspiro
de terror
é escuro o brilho do silêncio
tua ausência suporta mal a fidelidade
que deves ao gênio que escondes em rimas digitais
a língua desmembra-se
divide-se entre o gôzo e o desejo
confunde o antes e o depois
e lambe selos num ritual ancestral
languidamente
julguei que nada havia a dizer do desencaixe
com receio do vazio de teu eu longe do meu
Rio, fevereiro de 2009
O TEMPO
que inútil seria suprimir o tempo
sem eliminar a angústia e todo sofrimento
congelar o fel em nada muda a substância
o vinagre está em nós
e por isso escrevo supero o tempo passo e deixo a borra
se o tempo não existe
eu existo
por que não aparecer
se tanto quero viver?
Rio, fevereiro de 2009
terça-feira, 25 de novembro de 2008
SELVA
nem antes nem depois
tudo aconteceu
e nada mudou
exceto tudo
em crise de sobrevivência
o repentino encanto do real
no sonho de reviver
a alucinante selva escura
Miami, novembro de 2008.
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