terça-feira, 2 de junho de 2009

ETERNAMENTE JÁ





é meu tempo de memória
de emoção e sentimento
a gozar a vida hoje
que não será eternamente

viro a página e mordo os lábios
engulo em seco
e deixo acontecer
a eternidade no momento

Rio, junho de 2009.


quinta-feira, 2 de abril de 2009

POETA [2]

[Para Bel Borja, lembrando Salinas]



poeta que me destes sal
na sonoridade doce de teus versos
não me darás jamais a dulcíssima expressão
de tua alma


árido a contemplar a vida
no tempo que me resta
sorvo o amor que encontrastes
em tuas luzes
iluminando a noite
dos desesperados mal amados

é clara tua noite desvendando sonhos
de sonhar em sonho
é límpida a descoberta da matéria
na memória de um jarro sobre a mesa
em tua febre de sentir
o que em tuas mãos há tido
a derrotar a própria morte...


[composto em algum momento no tempo perdido, talvez 2006]

terça-feira, 24 de março de 2009

FAGULHAS







é falso o incêndio de meus dias
são fagulhas ávidas de luz
ardendo a vida!

Rio, março de 2009.

segunda-feira, 23 de março de 2009

O TEMPO NEUTRALIZADO



um silêncio abstrato
apaga o rumor da gente

o coração descompassado
projeta sombra
sobre a luz difusa
do que sinto que perdi
no tempo neutralizado

não ouço o desejo
irriquieto antigamente

com um pouco de imaginação ainda vejo o sol
bem no fundo de meus olhos
baços
onde a luz vacila

era tão bom viver!

Rio, março de 2009.


UM POEMA





escrevo um poema de melancolia

da saudade difusa que levo comigo
de um passado que não tive
no presente que não vivo

no horizonte um futuro
derrama-se em vagas
brancas e esquivas

debruço-me para reconhecer-me
no fim de tudo...

Rio, março de 2009.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

RIO



A large smile
It’s summer in Rio




o mar desmaia
grisalho sobre mim
sorrio

é minha praia

a brisa
acaricia a floresta
e uma vela no horizonte
da janela navego o largo mar

sorrio
alheio
estou no Rio...


Rio, fevereiro de 2009

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

DESEJO




... quero tocar-te a pele
e deixar-te ao poente
nesta loucura do passar os dias
de oriente a ocidente

quero tocar-te quente
arder-te sem queimar-te
e voltar
para ser teu assim de repente

quero esse querer ardente
que já não sei se basta o sol
ou outra luz
que ilumine e queime
impiedosamente
meu desejo

de querer-te sem sentir para depois morrer...


Rio, fevereiro de 2008