sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Ah... AI AI







estou amarrado
sobrevivo ancorado
atado e calado

em imaginação ameaçado
depois de haver voado
por ares nunca antes explorados

esta vida mói
o amor se vai
segredo guardado dói
enquanto o tempo se esvai

ai dói
ai mói
ai vai

ai ai ai


Rio, novembro de 2009





terça-feira, 17 de novembro de 2009

MISTÉRIO INGRATO








foi-se
nunca voltou
nem se lembrou
de nos dizer

Rio, novembro de 2009



MISTÉRIO FÚTIL







não sei
não tenho certeza
mas
definitivamente
devo saber


Rio, novembro de 2009



DISCRETO MISTÉRIO







eu sei bem que se dissesse
se por acaso falasse
se em um momento revelasse
de mim
de outros
de todos
se eu não calasse
que desastre!

Rio, novembro de 2009



SECA








meu sentimento vazio
faz poesia por um fio
passam as idéias
como águas de um rio

ah!
quem me dera uma leve mágoa
para ressentir e secar
quem me dera
impedir o rio de passar!

Rio de Janeiro, novembro de 2009




sábado, 14 de novembro de 2009

MANHÃ DE SOL





encosta teu ouvido aqui nesta janela
e ouça o mar

deixa-te estar
sem nada perguntar

nada penses

ouves as ondas ?
ouves seu derramar macio na areia branca?
soam suaves o sussurar da brisa
em pele molhada


escuto o mar
e me sugere o vento

arroxeado o céu clareia
logo é puro azul

a manhã em fogo do verão
respira espaço
e ganha corpos torneados
sensual
em Ipanema

*


a paz tem esse sossego
dos pequenos rumores da manhã
acelerada nos passos dos rapazes
em corridas matinais

o sol não tarda e queima
peles em cor de mel
e o Rio acorda
para o gozo do prazer

Rio, novembro de 2009





ILUSÃO









no caminho recusei desvios
fugi de vários destinos
vários fados disfarcei

entre mim e o tempo há um descompasso
ele passou adiante de mim

enganei-o não sou eu mais que estou
sou o outro que o enganou

o meu passado voltou
e no presente ficou

da ilusão e da esperança vivo
alimentando o desejo
de não deixar prevalecer o destino


Rio, novembro de 2009