sábado, 15 de maio de 2010

MENSAGEM A UM POETA





[Adriano Nunes]



tu vestes bonecas
de porcelana e de vida
tu és poeta
e eu de partida
bem vindo Adriano
te espero no tédio
o mesmo que é teu
com a só diferença
não a descrença
longe de ateu
apenas sou eu


Rio, maio de 2010



MOTE E GLOSA









Proposta [Nydia Bonetti]:

vermelho
o flamboyant se esconde
em outonais dormências

Glosa [eu mesmo]

flamejantes
no seu tempo curto
flamboyants ardem de vida



Rio, 15 de maio de 2010


quarta-feira, 12 de maio de 2010

ALMA INVISIBLE







"De dentro tengo mi mal,
que de fuera no hay señal"




a luz que teus olhos alcançam
interrogam o que vês
e não sou eu que alcanças
mas tua visão

dispo-me e não há outra imagem
senão do homem despido

que estranho ver e não compreender
a vocação dos seres de ser
e nem um pouco parecer

Rio, maio de 2010




MÁQUINA DE FAZER FELICIDADE







ninguém conhece o caminho

nem a fala nem o silêncio

nem a outra face

do que seja ser feliz


sei onde me levam os passos

o milagre cada dia

que em cada manhã amanhece


a alegria de ser triste o tempo que se perdeu

é tudo que tenho nas mãos


ser feliz talvez seja não ser triste

e viver tudo que existe

ao alcance da mão


como quem dança

escrevo o que me dizem palavras

e não nega o coração


Rio, maio de 2010


quinta-feira, 6 de maio de 2010

I'M YOURS



A dor que minha alma sente
Não [n]a sabe toda gente [mote]



se é estranho o amor
como o quis nosso Bardo
deixo aqui os meus versos
para pensar o reverso
de lhe suportar o fardo
e tentar do amor-tormento
extrair o meu momento
que só sabe quem o sente
na dor de tornar-se gente

triste n'alma é traçar linhas
limites do amor não minto
nessa dor que finjo ou sinto
p'ra que minh' alma escondida
não se torne percebida
conforme ame ou não ame
ou viva triste ou contente
nas palavras dessa gente

tudo ou nada vencer posso
no sucesso ou no insucesso
de viver o amor por bem
que é o que espero também
não duvidais que sou vosso [I'm yours]

[que me perdoe Camões]


Rio, maio de 2010

segunda-feira, 3 de maio de 2010

DE UMA FOTO DE MARTA VAZ







do barco de nada ir

navega o dever de navegar

do ramo seco de sentir

eclode verde o viver


azul que te quero mar

claro azul de amar

no ramo seco o barco

o verde e a vida

percebida



Sao Paulo, maio de 2010






EU E O POEMA







colho o poema nos escolhos de mim mesmo
sobrevivendo o tempo
redefinindo a vida

vive o poema da certeza de mim mesmo
de que estou e nao passei

o poema sou eu mesmo
que a mim tive
para sentir

o poema sera eternidade no sempre
que me sente o que sou
e a consciencia de mim mesmo

o poema sera outro
se sentido por outro que o busque
e o ache nos escolhos de si mesmo

o poema sera outro
na leitura do futuro

o poema sao palavras
e o sentido de quem le


Rio, maio de 2010