sexta-feira, 24 de junho de 2011

A safena? Que pena, se foi!




o sono de quem não tem sorte
andou por perto
e eu estava desperto

de repente tudo diferente
é apenas o que sei...
nào...nem foi assim
quando me dei por mim
com toda tranquilidade
fui procurar a verdade

na vida tudo foi sorte 
ou o que a sorte me deu
nunca pensei na morte
mas nos amores meus
e nas coisas guardadas comigo

sim...era isso vieram
à lembrança os amigos
e uma dorzinha esquisita
corri doeu corri
foi tudo que senti

o médico sempre atento
deitou-me e olhou
virou revirou
operou
e lá se foi a mamária
substituir a artéria
de que é a mesma matéria

buscada mais longe a safena...
que pena
o lanho que na perna abriu...

tudo feito
suspeito
que a hora da morte
passou perto e
salvei-me por certo

que bom estou são
e descobri
que tenho coração
vou pra casa amanhã

foi sorte
a dorzinha chata que me pegou
não maltratou
e estou novo
de novo

continuo amando tudo
a vida a sorte até a morte
loonge
que ;onge fique
ainda tenho pique

e sobretudo 
os amigos em quem apostei
ganhei 


Rio, 24 de junho de 2011




quinta-feira, 16 de junho de 2011

CAMINHANDO







hoje não se demora
logo será amanhã


ontem? 
já é passado agora


dias
meses talvez
anos
errando vou caminhando


muito ou nada
pouco importam 
dejetos do que não serei


ontem foi como pedra
amanhã vem como água 


o presente nem existe
tal poeira da pegada
apenas levantada


caminhando caminhando
passa o tempo por mim
vou andando


entoando
velhas imprecações
ou
se quiserem 
orações


ofício estranho do poeta
inventar uma canção


canta coração


Rio, junho de 2011



terça-feira, 14 de junho de 2011

O BEIJO

o beijo de chegada [ou de partida?]




nao é muito o que desejo
mas o ensejo de chegar vivo
consciente e inteiro 


ativo


o beijo bem dado são sempre dois
o que dei em vida e o que vem depois


sei que não demora
espero mas não quero 
esse beijo 
agora


o que vem virá
se é morte não é sorte
mas se tem que ser será


Rio, junho de 2011



MEU SONHO





no fim do caminho
enamorado estou de um sonho teu


não há dois sonhos
no sonho já meu





Rio, junho de 2011





segunda-feira, 13 de junho de 2011

PALAVRAS AO VENTO





palavras tocadas pelo vento perdem-se 
como desejos que beijam lábios
e se calam


vento que me arrebata
sopra as folhas fúteis da ilusão
e seca lágrimas 
enganadas

desejo 
apaga a luz da fúria vã
não é fácil amar


lábios úmidos 
junto a tua boca
já sem palavras 
 falam


e o poema como quem teima  
canta


Rio, junho de 2011



sábado, 11 de junho de 2011

ARCO-IRIS





este poema é canto
canto chão
este poema é vida
de exaltação
este poema é triste
na lamentação
este poema é tudo
de quando nasce
da imaginação


o poema é água terra e ar
quando flutua mar 

e se agita

quando canta o barco
a navegar escolhos
de pedras e palavras
da injusta condenação


este poema é sol
que encanta a gente
sob o arco-iris
entre tênues núvens 
em lágrimas de solidão


este poema é salvação




Rio, junho de 2011



A DOIS



sei que existe o caminho
e que o trilhamos sós
solitáriamente


reconheço-o a cada passo
sou quem sou a cada passo
já diferente


o mar que ladeio é oceano
cheio de mistérios
assustador se não o encaramos


é tudo um sonho
um sonho teu
um sonho meu

mas penso em ti na caminhada
pressinto teu perfume
um cheiro de presença que renova 


que música ouvimos
que nos toca
que idéia juntos nos conduz?

passado o tempo
o espaço se reduz e no entanto
não te apercebes do tanto que andamos


não te dás por mim
diante do oceano
mas caminhamos

o tempo alia-se ao espaço
estabelece o ritmo
de cada passo

o mar parece igual
mas iguais não somos
como cada onda que derrama


a caminhada nos desperta
e nos refunde
na descoberta

cadenciamos quando sentimos 
não estamos alheios
somamos  


enleados no sonho 
já não há dois sonhos 
no sonho teu agora meu


Rio, junho de 2010