"Porém, pera cantar de vosso gesto a composição alta e milagrosa, aqui falta saber, engenho e arte." Luís de Camões ... assim encontrareis aqui palavras magoadas a tornar o fogo frio e dar descanso a minha alma condenada ...
domingo, 26 de junho de 2011
O DEVIR
desponta o sol depois da primeira claridade
gozo o prazer da luz bem antes de sentir-lhe o calor
em pouco abraça-me decidido e viril
e o dom da vida torna a fazer sentido
canto o momento do abraço em que sou presa
da emoção quase infantil de sentir-me parte
deste céu e desta terra diante da visão de meu eterno mar
hoje renasci para amar
sou a emoção verdadeira
talvez do ressurgir
canto esta canção derradeira de reviver
não sou o erro do passado
nem os sonhos soltos do devir
sou quem sou criatura recriado ser a sentir
Rio, na primeira manhã de meu retorno a casa, depois da cirurgia cardíaca, 26 de junho de 2011.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
TEU PRIMEIRO BEIJO
para Maria Luiza,
minha mulher
suave é viver ao teu lado
acariciado e amado
enquanto ouço distante
o duradouro canto do instante
entre o gosto doce daqui
e a melodia de lá
vivo o gozo de ser eu
a merecer este céu
amor sempre fui teu
desejei-te antes que soubesses
o bem que em ti amava
o primeiro beijo que me destes
fez doce aquele instante meu
foi dom que a vida prometeu
Rio, junho de 2011
UM DIÁLOGO. POÉTICO?
nem parecia o fim
[e não era, dizia ela]
talvez com Omeprazol
Antak acabe esse ataque
azia má digestão...
carái como dói
ah! nem tanto vc vive dizendo
que dói aqui ou ali
vai ver e mais uma das suas...
sua mãe morreu aos 90
sim mas era mais santa
e isso conta pontos no final
o fato é que dói
você exagera, toma o Antak e sossega
tao cedo ninguem daqui nao te leva
quem a morte?
ninguem ninguem
nem o amor que conquistei na esquina?
uma mulata sestrosa bundão
deu mole
vou topar de coração
olha que ela leva
que leve e leve logo
pega a mala maior
assim garanto um dia ou dois sem queixumes
aff nem dor posso ter
nao fosse pela Alice ia pra Caxias
e lá ficaria
as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá
bem vou caminhar dar um passo
que a garoa me pegue
que garoa?
no Rio tem chuvisco
tem garoa não
bem pego a garota
não me arrisco
escrevi errado faltou um "t"
mas dói vou ao shopping me esbaldar
do shopping pro médico
caminhei sem sofrer
não achei que fosse morrer
até o elevador
daí veio a dor
merda! carái!
rapidin fui atendido contei
longa história
omeprazol antak
sal de frutas ENO
veneno
o xará que era o médico não deu chance
daqui você vai ao exame de imagem
deixa de sacanagem
o tronco esquerdo entupiu
e lá fui... nem à esquina nem a Caxias
direto pro bisturi
resolvida a xarada
duas safenas duas mamárias
e a sestrosa para acarinhar
o tronco
e me levar pra ver povo do Jardim Gramacho
a torcer por "sucessagen"
onde o meia-atacante é o Fabbinn
rubronegro meu anigo
joga também o Alex e ainda o Rafael
na zaga o Gabriel e a gurizada toda
que me faz a alegria
passou a dor e a azia...
Rio, junho de 2011
A safena? Que pena, se foi!
o sono de quem não tem sorte
andou por perto
e eu estava desperto
de repente tudo diferente
é apenas o que sei...
nào...nem foi assim
quando me dei por mim
com toda tranquilidade
fui procurar a verdade
na vida tudo foi sorte
ou o que a sorte me deu
nunca pensei na morte
mas nos amores meus
e nas coisas guardadas comigo
sim...era isso vieram
à lembrança os amigos
e uma dorzinha esquisita
corri doeu corri
foi tudo que senti
o médico sempre atento
deitou-me e olhou
virou revirou
operou
e lá se foi a mamária
substituir a artéria
de que é a mesma matéria
buscada mais longe a safena...
que pena
o lanho que na perna abriu...
tudo feito
suspeito
que a hora da morte
passou perto e
salvei-me por certo
que bom estou são
e descobri
que tenho coração
vou pra casa amanhã
foi sorte
a dorzinha chata que me pegou
não maltratou
e estou novo
de novo
continuo amando tudo
a vida a sorte até a morte
loonge
que ;onge fique
ainda tenho pique
e sobretudo
os amigos em quem apostei
ganhei
Rio, 24 de junho de 2011
quinta-feira, 16 de junho de 2011
CAMINHANDO
hoje não se demora
logo será amanhã
ontem?
já é passado agora
dias
meses talvez
anos
errando vou caminhando
muito ou nada
pouco importam
dejetos do que não serei
ontem foi como pedra
amanhã vem como água
o presente nem existe
tal poeira da pegada
apenas levantada
caminhando caminhando
passa o tempo por mim
vou andando
entoando
velhas imprecações
ou
se quiserem
orações
ofício estranho do poeta
inventar uma canção
canta coração
Rio, junho de 2011
terça-feira, 14 de junho de 2011
O BEIJO
o beijo de chegada [ou de partida?]
nao é muito o que desejo
mas o ensejo de chegar vivo
consciente e inteiro
ativo
o beijo bem dado são sempre dois
o que dei em vida e o que vem depois
sei que não demora
espero mas não quero
esse beijo
agora
o que vem virá
se é morte não é sorte
mas se tem que ser será
Rio, junho de 2011
MEU SONHO
no fim do caminho
enamorado estou de um sonho teu
não há dois sonhos
no sonho já meu
Rio, junho de 2011
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