"Porém, pera cantar de vosso gesto a composição alta e milagrosa, aqui falta saber, engenho e arte." Luís de Camões ... assim encontrareis aqui palavras magoadas a tornar o fogo frio e dar descanso a minha alma condenada ...
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
NAUFRÁGIO
um poeta sem poemas
é um ser desconhecido
abandonado por seus versos
o poema tem identidade percebida
navegando vagas idéias conhecidas
a sobrevida do poeta
compõe-se de palavras indistintas
que flutuam sem nem mesmo navegar
Rio, janeiro de 2012
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
O OUTRO
um outro ser é outro mundo outra dimensão
não o deciframos nem o entendemos
ainda que o amemos
resta a indagação
como será saber o que pensa
o que sente o que diz o que o expressa?
como será viver-lhe o pensamento vivo
a densidade do afeto
seus valores éticos
e o entendimento do mundo?
como serão seus sonhos
será verde o verde ou mesclará semitons de amarelo
e o afeto o amor e o sofrimento?
incluirá o amor alguma forma de dação?
tudo é indagação
os segredos da alma
estrelas e planetas em outra dimensão...
Rio de Janeiro, 2 de janeiro de 2012.
domingo, 1 de janeiro de 2012
2012 SIMPLES ASSIM
[de uma frase feliz de um amigo querido]
saudade do ano que passou
alegria do ano que começa
tudo foi bom então
tudo pode ser melhor
basta ter objetivos
basta sonhar novos
ter metas esse é o único segredo
da realização delas
mas olha-te por dentro
instala um dispositivo de paz
medita sobre teu passado
constrói os alicerces do futuro
erros enganos todos cometemos
mas saibamos graduá-los
para jamais repetir os graves
e evitar os evitáveis
mas olha para fora
contempla o universo
o caos e sua ordem aparente
fala alto domina tua mente
cada estrela em seu lugar
o sol para acalentar
a Lua para amar
e a certeza de que podes acertar
2012 é apenas um novo número
a dar lugar a cada dia
há-que continuar a sonhar
há-que saber realizar
não há mistério
2012 simples assim
Rio de Janeiro, 1 de janeiro de 2012.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
QUADRINHAS DE AMOR
[um exercício em tempo de insônia:
"quem faz quadras" à maneira portuguesa
"comunga a alma do povo,
humildemente de todos nós
e errante dentro de si próprio" -
de NOTA PRELIMINAR
em "quadras ao gosto popular"
da edição AGUILAR
de Fernando Pessoa]
"quem faz quadras" à maneira portuguesa
"comunga a alma do povo,
humildemente de todos nós
e errante dentro de si próprio" -
de NOTA PRELIMINAR
em "quadras ao gosto popular"
da edição AGUILAR
de Fernando Pessoa]
além da vida outra vida
viverei só para ti
o tempo que tenho aqui
não é mais que sobrevida
se não estás ao meu lado
sem teu calor vou morrer
cada dia quero-te ver
pra me sentir bem amado
se me queres estarei
para teus lábios beijar
por toda vida esperei
eternamente te amar
preciso encontrar o lugar
onde te possa buscar
tenho uma flor a te dar
e um segredo a falar
o segredo é meu degredo
em que me deixaste penar
mas hoje revelo sem medo
que eu sou rio tu és mar
Rio, dezembro de 2011.
SOLIDÃO
não já não posso ficar só
o vento sopra teu cheiro
o espaço ecoa teu grito
o tempo me consome
e o silêncio de tua ausência
sangra por todos os poros
cego de tanto que te quero
as palavras tecem a tela absurda
da negação da verdade
palavras...teu grito
palavras...teu cheiro
palavras...meu tempo
silêncio...palavras da minha solidão
e por fim quando tudo começar
não serei mais eu
mas o coração despedaçado
sob a pedra
rente ao chão
eternamente só
Rio, dezembro de 2011.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
CAMINHOS E DESCAMINHOS
eu bem sentia
no que tu fazias
o que feria
amei-te em pleno desatino
desafiando o destino
e trilhando o caminho
assim o farei
jamais mudarei
a sombra da noite
no tempo passada
foi soterrada
só eu sei a verdade
dos descaminhos na estrada
que te levavam a nada
só eu me feri
no tudo que senti
mas
serei sempre o mesmo
para ti
tudo isso só me diz respeito
deslembro o que foi mal feito
valorizo o que se fará
Rio, dezembro de 2011.
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